domingo, 3 de novembro de 2013

SENDERO



Perco conexão. Não sei o que mobiliza corações e mentes. É tudo tão vasto, múltiplo, direto e rápido que não evolui a ponto de ser degustado e repetido até se apurar o gosto da coisa.

Acontece, passa e não significa. Nos fatos, nos relacionamentos, nos objetos de consumo, no cotidiano.
Diz aí o que já "dura" há mais de cinco anos.

Ontem assisti à "Além da estrada" um belo filme do diretor Charly Braun. Traz a história de uma jovem belga, Juliette, que está no Uruguai à procura de um antigo amor que ela supõe estar na cidade de Rocha. Encontra-se com Santiago, que também está no Uruguai, ele é argentino, a procura de um lugar que pertenceu a seus pais, mortos em um acidente automobilístico.

Santiago encontra Juliette arrastando uma mala pelo calçadão de uma avenida em Montevidéu e a propõe carona.

O caminho serve para abordar os dramas de ambos pelos seus descaminhos vários. Santiago passa por um lugarejo onde vive um tio que lhe oferece hospedagem e por ali eles ficam durante uma noite.

Nada acontece entre eles, ou melhor, tudo menos sexo.

Na manhã seguinte, Juliette deixa um bilhete de agradecimento por tudo, mas diz que precisa ir ao encontro do que procura. Santiago recebe na casa do tio a visita de uma ex, dorme com ela, mas ao acordar sente um profundo vazio.

Em conversa com o tio, Santiago diz que se sente meio a deriva. O tio diz que anos atrás havia conhecido uma pessoa e que havia a deixado partir e se arrependia muito por não ter se envolvido durante um tempo mais prolongado.

Santiago resolve ir a procura de Juliette e a encontra na casa do ex-namorado que já estava vivendo alguns anos com outra pessoa. 

Há uma cena em que Santiago e Juliette cruzam uma ponte inacabada sobre um largo rio. Um em cada lateral da ponte até o final da obra em construção. A câmera distancia e coloca foco nos jovens olhando para a extensão do rio.

O que está para além da Vida? Como construir o que falta para atingir a segunda margem do rio? Como fazê-lo com alguém que avança em outra "lateral"?

Ah, esta vida, ponte inacabada.

Ah, esta segunda margem, há?

Ah, este rio, finito incerto.

Ah, este outro, outro.




Até breve.

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