sábado, 31 de dezembro de 2016

TEIMA



Nenhum tema. Nenhum assunto. Nenhuma inspiração e nem expiação. Tudo é velho, antigo, marcado por uma repetição sistemática e biliar.

Fecho o ciclo de mais 365 dias com gosto de náusea sartreana. Nem 2017 razões para supor advir novos tempos me dão lenitivo, resto de esperança ativa que tanto decantei nestes mal traçados posts.

As guerras ainda estão na ordem do dia.

No Metrô, silvícolas urbanos massacram um homem que se antepôs a um travesti.

Uma mulher ardil incendeia um embaixador.

A puslítica estampa, descancara seus carnegões, mas todos sabem que a metástase é muito maior do que a ferida exposta.

As estradas matam.

As celebridades descerebram.

Música e Letra minguam. Nem Carminho cantanto Tom arrebata. Betânia não dá conta de Edith.

Até a Bola-de-Ouro é do mesmo.

Câncer, Aids, mosquitos e bactérias mil ainda matam.

Em dez anos evoluiremos mil em meios.

Fins permanecerão os mesmos. Vis.

Meu olhar crispa uma dor dilacerante. Não é mais crível o sonho humano. Suassuna delirou quando disse que a confirmação da existência de Deus se dá pela compreensão de que não nos é possível imaginar que haja somente este inferno.

Presente.

Pior, só há este inferno presente. Suassuna também está morto.

Talvez uma lembrancinha, uma luzinha piscando nas árvores, uma comidinha especial, abraços armados, sorrisos, caras e bocas escondam o amargor. Cena da tragédia que resumiu a Vida.

Confraternizações. Em Copacabanas com menos fogos de aurifício.

Meu, fudeu.

Esperem... Ainda há muita alienação para tamponar o escroto. Boralá crer que o seu Banco vai cuidar de sua Vida, suas vitaminas te fortalecerão essa bisnaga de carne, este álcool azul absintará o real.

Você amará como nunca. Terá filhos e netos. Doze carros e uma mansão em Shangrilá, ou nada disso, ou até menos do que isto.

Mas será feliz porque um novo ano se descortina.

E a Humanidade que se foda. E com ela este sonho tolo de que um dia, qualquer dia, advirá Humana.





ATÉ BREVE.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

FINITUDE



“A morte é indestrutível”. Manoel de Barros foi quem disse. Nada mais inexorável do que ela. Especialmente quando fora daquilo que parece ser razoável, natural, aceitável. A morte na velhice, tudo bem. Como dizia minha avó Eulália, “prá lá nós vamos”.

Ceifar a vida de um jovem de 29 anos é cruel. Foi com esta palavra que Carlos Augusto pai de Túlio, acolheu meus pêsames pela perda de seu filho vítima de um câncer raro.

Jovem cheio de vida, humor, alegria e de uma simpatia ímpares. Estava nos USA e foi atendido em um hospital de lá se queixando de fortes dores. Todos os exames foram feitos e não foi possível diagnóstico preciso.

A mãe, precavida, voou imediatamente para buscar Túlio. Foi em agosto deste ano. Retornou dois dias depois trazendo o filho. Desceu no aeroporto e de lá foi direto para um hospital. Novos exames e nenhuma constatação conclusiva até que os médicos resolverão abrir.

Aberto o corpo do jovem e feita uma incisão em um dos rins a maligna surpresa.

De agosto até a madrugada de ontem, Túlio fechou-se em seu sofrimento pedindo aos pais que não compartilhasse com ninguém a sua dor. De forma avassaladora outras partes do corpo foram tomadas retirando toda esperança.

Recebemos a notícia por volta da uma hora da tarde de ontem.

Passei o resto do dia e boa parte da noite pensando: como encontrar sentido em uma morte destas? Recentemente, em acidente aéreo, nos deparamos com a perda de dezenas de jovens no auge de suas vidas.

Mas foi um acidente trágico.

No caso de Túlio, não. Foi uma crueldade ou, no mínimo, uma brutalidade.

Claro que não é a primeira e nem será a última morte semelhante. Diariamente é provável que inúmeras vidas sejam abreviadas brusca e inexoravelmente em circunstâncias idênticas.

O sentido da perfeição perde nexo. O Criador é colocado em cheque pela simples pergunta: por que, meu Deus? Como entender este câncer? Especialmente por ser raro, parece que no Brasil foram identificadas menos de uma dezena de casos.

Nunca soube o que dizer em velórios.

Ontem, enquanto conversava com um dos tios de Túlio, amigo-irmão, eu tentava pensar em tudo, menos no que acabara de acontecer. Ouvia o choro alto e intenso da mãe, acolhida pelo outro filho. Ítalo, inconsolável.

Minha ingênua tolice me impõe uma queixa.

Por que, Deus?



Até breve.

sábado, 3 de dezembro de 2016

NEUSOCOTICOS



Combinamos de nos encontrar para compartilhar delírios. Eu e Barreto, aquele sujeito que me faz vínculo com meus ideais da juventude.

Ele se virou ou a Vida fez com que ele se tornar-se escritor. Dei à Dona Ismênia, no sábado passado, como presente pelos noventa anos dela, um dos livros do amigo: das simpatias. Recebi todos os agradecimentos, ela me disse que ri sozinha só de lembrar-se de passagens dos textos.

Pode alguém querer algo mais para o outro, pelo qual tem o maior afeto, alegria? Pois é, Barreto foi catalisador, com seu brilhantismo poético, a fazer Dona Ismênia sorrir, e muito.

Aí combinamos de nos encontrar para “tomar umas cervas” e misturar horrores e neusocoticos sacstificantes, isto é, delírios. Coisas que ainda não existem e que só perambulam nos territórios dos poetas.

Só que Barreto levou Graça, sua esposa, junto. Eu lido bem com o inesperado, sempre quando ele não aconteça.

Graça, a quem Barreto chama de Neguinha, desandou o propósito. A conversa combinada era para nós dois. Só que, ao longo de todo o encontro, Graça monopolizou a cena.

E o pior, foi ótimo.

Ela, logo que sentamos no bar, falou de um grande amigo comunista que até hoje crê na perspectiva da revolução.

Daí emendou para experiências que ela teve como professora para adultos que não fizeram, pelas mais diversas circunstâncias, o ensino fundamental. Nas salas de aula, adolescentes e idosos, numa química extraordinariamente interessante para a maestria.

E por ali ela foi, tecendo a fala de um ponto a outro num ritmo alucinante que, eu e Barreto, espectadores quase passivos, tentávamos entender o que estávamos fazendo ali. Eu digo “nós”, porque mesmo que Barreto não concorde com isto, eu o quero como comparsa.

Graça foi fondo, ligando uma pessoa à outra, um novelo a outro e, de repente:

- “Eu sou tarada por futebol”!

- “E prá que time você torce”? Perguntei, quando pude.

- “Ah, eu sou vagabunda”!

Antes que eu me recuperasse do susto ela foi logo dizendo:

- “Torço pro Cruzeiro, mas no dia da Libertadores quebrei a nossa cama de tanto pular torcendo pelo Atlético!”

E não parou aí. Lembrou-se de uma pessoa que fazia para ela a limpeza do apartamento. A mulher apanhava com regularidade do marido sempre que o sujeito tomava doses ou garrafas a mais. Até que um dia um vizinho do casal, depois de salvá-la de um desses ataques, levou-a para um canto e ponderou:

- “Poxa, você é uma mulher trabalhadeira, faz tudo para o seu marido e o cara ainda te bate? Por que você não larga esse cara e vem morar comigo”?

Graça arremata a história imitando a ajudante:

- “Dona Graça, num é que eu aceitei e de um dia pro outro eu tava morando com o vizinho”?

Despedi-me do casal amigo e, no caminho de volta para casa, fiquei pensando qual fonte de inspiração o meu querido amigo apoia-se para cunhar suas fantásticas pérolas literárias.

Eu acho que ele é cheio de graça.


Ate breve.

sábado, 26 de novembro de 2016

VIVER



Eu mesmo vinha achando que bastava. De repente, não. Há muito a legar ainda. E voltei de Quattro, como em O Regresso. Com gosto de Vida na boca. São passos iniciais, mas puxa, como tem sido bom conviver com essas pessoas redescobertas ou descobertas nos últimos meses.

Simultaneamente, correm os fatos.

No âmbito da minha militância profissional, boas novas simbólicas. É que a principal marca de um país enxovalhado busca redimir-se. Depois da publicação de um pedido de desculpas formal à nação – o que será feito assim que delações e acordo de leniência estiverem assinados – a Odebrecht parte para cronograma de quatro estágios a ser cumprido em, no máximo, quatro anos.

Os passos incluem forte compliance (incluindo redesenho da holding), movimento para mostrar à sociedade a relevância social do Grupo, resgate da credibilidade e reposicionamento da marca. A Odebrecht sairá da maior crise de sua história – econômica, ética e moral – com tamanho bem menor, mas… saudável.

Não está prevista troca do nome da empresa, o que jamais poderia mesmo fazer.

Por outro lado, nada assusta no território da puslítica, mesmo a declaração (em plenário) do presidente da Câmara de que o parlamento deve se defender da pressão popular e aprovar a lobotomia social. “Esqueçam de vez, os nossos crimes”, traduzindo aquilo que o infeliz quer dizer, não sem tiques nervosos que o denunciam.

Não há nada que se possa mais dizer. Brasília dá náuseas. Não a cidade, claro.

Tempos vultuosos, o presente. Na madrugada de hoje foi-se (foice) um pedaço icônico da História do Século XX: Fidel.

Enquanto proclamava o triunfo da revolução em 1959, várias pombas voaram a seu redor e uma delas pousou docemente em seu ombro. As pessoas entenderam como um sinal sobrenatural. O mito marcou a vida de Fidel.

Ele gostava do “nascimento das ideias”, fascinava também as massas, as mulheres, os políticos e os artistas.

Fidel desafiou dez presidentes dos Estados Unidos e governou com mão de ferro, derrotou conspirações apoiadas pelo Império Americano e enviou 386.000 concidadãos para lutar em Angola, Etiópia, Congo, Argélia e Síria.

Ao longo de 40 anos (1958-2000) escapou de 634 tentativas de assassinato. “Tenho um colete moral, é forte. Esse tem me protegido sempre”, disse aos jornalistas enquanto mostrava o peito durante uma viagem aos Estados Unidos em 1979.

Também se propôs a fazer de Cuba uma “potência médica”, quando tinha somente 3 mil médicos no país. Hoje tem cerca de 88 mil especialistas, um para cada 640 habitantes.

Nem sempre o Quixote caribenho venceu. Após um esforço titânico, não conseguiu, como tinha proposto, produzir 10 milhões de toneladas de açúcar em 1970, mas conseguiu que Cuba derrotasse o analfabetismo em apenas um ano (1961).

Fidel dizia não apreciar o culto à personalidade. Não há estátuas, mas sua imagem se multiplicou na ilha.

“Em breve serei como todos os outros. A vez chega para todos”. A vez de Fidel Castro foi nesta madrugada, aos noventa anos de idade.

E eu não deveria ter trazido nada disso à post, porque há um fato reluzente que está por vir no dia de hoje: Dona Ismênia comemorará seus noventa anos de Vida. Eu estarei presente em grupo seleto de convivas.

É o que importa.


Até breve.

OBS.: Para Odebrecht e Fidel apoiei-me no Estadão.

domingo, 20 de novembro de 2016

BESTA




Assisti, e somente ontem, ao filme de Alejandro González Iñarritu. Deveria tê-lo visto antes, quando o Vlad há meses atrás vindo do cinema fez referências surpreendentes sobre a fita.

O Regresso é um desses filmes que fazem um tributo ao cinema. Todas as artes são elementos para a expressão humana, mas a Sétima, quando bem utilizada explicita mais que todas as outras, o humano.

Talvez pela presença da linguagem dinâmica de imagens e sons, o cinema “diz” muito mais se comparado a outras tantas manifestações artísticas.

Eu não gostei do filme, eu adorei, fiquei fascinado pelas quase duas horas e meia de projeção e me perguntei ao longo de todo o seu transcorrer como alguém pode, em tão pouco tempo, dizer tanto.

Iñarritu, co-roteirista e diretor, nos propõe múltiplas interpretações, desde as mais banais, como aquelas veiculadas pela divulgação comercial que o filme trata da superação humana diante das adversidades patrocinadas pela natureza, até outras um pouco mais sofisticadas.

A mim, por que fascinou?

O filme é carregado de imagens, que se retiradas de cada frame da película e colocadas em postais ou cartazes poderiam ser usadas, por exemplo, em agências de turismo para comercializarem o Belo que a Natureza proporciona. Iñarritu dá um show de locações paradisíacas, com verdes de florestas, alvoreceres e poentes, águas cristalinas correntes.

Esse me pareceu ser o primeiro fio condutor da narrativa. A natureza paradisíaca, mesmo que, em alguns momentos, em suas dimensões mais adversas à sobrevivência humana.

Dentro deste ambiente, deste paraíso, o Homem, sua história e sua cultura. Do primitivo ao moderno, (a trama se dá no fim do século XIX), fazendo-nos pensar sobre a convivência humana durante séculos.

Glass, personagem de Leonardo de Caprio que lhe deu o Oscar tão esperado, protagoniza duas cenas antológicas: a primeira, no início do filme, quando se depara com um urso que protege as suas crias e a outra quando, ele próprio, se coloca sobre o corpo do assassino de seu filho.

Em outra cena um silvícola, que teve sua família dizimada por tribo inimiga, e que socorre e trata de Glass pós-ataque do urso, aparece enforcado pendente de uma árvore. Preso ao corpo uma tabuleta: “Todos somos selvagens.” 

Quem o enforcou foi um grupo de “comerciantes de peles” “franceses”. Glass ao tentar roubar um cavalo se depara com um dos líderes deste grupo arrastando uma índia para estupra-la. Glass avança sobre o francês e liberta a mulher deixando com ela uma faca, para acabar o serviço. Fora da cena ouve-se a índia dizer: “vou cortar as suas bolas, infeliz!”.

O filme remeteu-me a isto. A tragédia civilizatória da Humanidade e as suas inúmeras facetas de crueldade selvagem. O filme coloca a besta diante do homem e faz com que nos perguntemos: quem é a besta?

Diante do paraíso, há inclusive cena de uma igreja em ruínas com fragmentos de pintura na parede do altar do Cristo crucificado, transcorre a saga humana.

Estuprada, a “nativa”, não diz vou cortar o elemento do estupro, mas aquele onde reside o elemento fecundante do “europeu” bárbaro.

A penúltima cena nos deixa matéria para reflexão eterna: uma imagem congelada da maravilhosa natureza e, abaixo da imagem, um rasto de sangue humano.

No desenrolar do filme, algumas tomadas são tão próximas da cena que sangue de batalhas respiga na lente da câmera ou o vapor da respiração ofegante do protagonista a embaça. Para dizer que no que se passa ali, todos nós estamos presentes.

A tradução, para o português, do nome do protagonista, diz de nossa fragilidade.



Até breve.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

TRAVESSIA



Em reunião de trabalho que participei esta semana, dentro de um contexto de debate sobre governança corporativa, um empresário disse: “Não há como ir da anarquia para a democracia sem passar por uma ditadura”.

Só vindo à post para poder elaborar e fora do contexto em que foi colocada a assertiva.

Se voltarmos a junho de 2013, para datar, vamos fazer registro do início de um conjunto de manifestações populares com diferentes e amplas demandas, que vão do preço de passagens de ônibus urbano, a direitos iguais para todos os gêneros, fim da corrupção, da violência, da insegurança, da falta de saúde, da falta de...

De lá para cá foram criadas condições institucionais, com arcabouço jurídico, que permitiram intervir em uma das maiores chagas do corpo brasileiro, a imensa e profunda metástase do mercado de vilanias, extorsões e todo tipo de assalto aos cofres públicos, patrocinado por empresários ícones e políticos de todas as cores.

A máquina Brasil travou e com ela a geração de mecanismos econômicos que determinam a geração de arrecadação pública, emprego e renda, fatores essenciais à saúde do corpo social.

A solução política de afastamento de um governo inepto para um de transição com respaldo constitucional não vem se mostrando capaz de criar uma agenda que leve efetivamente à complexa terapêutica.

Descerebrada, e com necessidades objetivas prementes, parte da sociedade toma coragem e volta às ruas no afã de serem ouvidos os seus clamores. Alguns como aqueles poucos que, corajosamente, tomaram as dependências da representação popular de assalto e sob o signo de “patriotas” pediram que os militares assumissem.

Outros fatos isolados emolduram um quadro de realidades preocupante.

Em Porto Alegre, capital de um dos estados falidos, presidiários são alocados dentro de veículos estacionados nas calçadas e vias públicas expondo de forma contundente a dimensão de sua crise.

No Rio de Janeiro, a Assembleia Legislativa encontra-se blindada para conter invasões populares que, ontem, passaram de reivindicativas para comemorativas pela prisão de dois dos satrápias sanguessugas que ocuparam o maior posto de comando do estado, uns dos tantos que levaram a cidade maravilhosa à bancarrota.

Expressivo debate entre dois juízes midiáticos da Suprema Corte que destilaram seus venenos pessoais perdendo de vista a dimensão objetiva do impacto que o entrevero escroto poderia acarretar ao já aterrorizante desarranjo institucional.

O aprofundamento das investigações da Operação Lava Jato e seus, agora, denominados “filhotes” que varrem tramas, orgias, sempre sabidas, mas nunca reveladas.

Não há um empresário que tenha contrato com os governos federal, estadual e municipal e nenhum político dessas esferas e seus intermediários que não esteja neste momento com seus advogados a postos.

Nesse contexto há tragédias irreparáveis e entre elas a de um pai que mata o filho, em seguida suicida-se. Motivo: o jovem era um “militante”.

A Polícia Federal batizou a operação, que prendeu o ex-governador do Rio, de “Calicute”, região da Índia onde o descobridor do Brasil, Pedro Álvarez Cabral, teve uma de suas maiores tormentas. 

Calicute é aqui, todo um país que vive uma de suas maiores tormentas.



Até breve.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

DISCURSO



Dizem sempre que a campanha é uma coisa e o mandato é outra. Daqui oito anos, como quer o novo presidente do Império a gente volta a este post.

Se houver mundo, ainda, claro.


Obrigado. Muito obrigado, a todos.

Acabo de receber um telefonema da secretária Clinton. Ela nos congratulou. Isso é sobre nós. Por nossa vitória, e eu a congratulei, e à sua família, por uma campanha muito, muito disputada.

Porque, pessoal, ela batalhou muito. Hillary trabalhou por muito tempo, com muito afinco, por um longo período, e temos uma dívida de gratidão para com ela por seu serviço ao nosso país.

Eu o digo com sinceridade. Agora é hora de os Estados Unidos curarem as feridas da divisão, de promover a união. A todos os republicanos e democratas e independentes de todo o país, digo que é hora de nos unirmos como um só povo.

É hora. Prometo a cada cidadão de nosso país que serei o presidente de todos os americanos, e isso é muito importante para mim. Para aqueles que optaram por não me apoiar no passado, e existem algumas pessoas nessa categoria, estou solicitando sua orientação e sua ajuda para que possamos trabalhar juntos e unificar nosso grande país.

Como eu disse desde o começo, nós não conduzimos uma campanha, mas um movimento, grande e incrível, composto de milhares de homens e mulheres que trabalham duro, amam seu país e desejam um futuro melhor para eles e suas famílias.

É um movimento formado por americanos de todas as raças, religiões e crenças, que desejam e esperam que o governo sirva ao povo, e é isso que o governo fará.

Trabalhando juntos, iniciaremos a urgente tarefa de reconstruir nossa nação e renovar o sonho americano. Passei minha vida inteira no mundo dos negócios, contemplando o potencial inexplorado de projetos e de pessoas em todo o mundo.

Isso é o que quero fazer agora pelo nosso país. Tremendo potencial. Vim a conhecer o nosso país muito bem - tremendo potencial. Vai ser uma coisa linda. Cada norte-americano terá a oportunidade de realizar plenamente o seu potencial. Os homens e mulheres esquecidos de nosso país deixarão de ser esquecidos.

Vamos restaurar nossas áreas urbanas e reconstruir nossas estradas, pontes, túneis, aeroportos, escolas, hospitais. Vamos reconstruir nossa infraestrutura, que aliás estará à altura de qualquer comparação, e empregaremos milhões de nossos cidadãos para fazê-lo. Também tomaremos, enfim, conta de nossos veteranos, que foram tão leais, e muitos dos quais eu tive a oportunidade de conhecer nessa jornada de 18 meses. O tempo que passei com eles durante a campanha é uma das maiores honras para mim.

Iniciaremos um projeto de crescimento e renovação nacional. Vou aproveitar o talento criativo de nosso povo e convocar os melhores, os mais brilhantes, para empregar seu imenso talento em benefício de todos. Isso vai acontecer. Temos um ótimo plano econômico. Dobraremos o nosso crescimento e teremos a economia mais forte de qualquer lugar do planeta.

Ao mesmo tempo, nos relacionaremos bem com as demais nações dispostas a se relacionar bem conosco. Teremos grandes relacionamentos. Esperamos ter grandes, grandes relacionamentos. Nenhum sonho é grande demais, nenhum desafio é grande demais. Nada do que desejamos para o nosso futuro está fora de nosso alcance.

Os Estados Unidos deixarão de se acomodar com menos que o melhor. Devemos recuperar o destino do nosso país, e sonhar sonhos grandes, audaciosos, ousados. Temos de fazê-lo. Vamos sonhar coisas para o nosso país, e coisas belas, coisas de sucesso uma vez mais.

Quero dizer à comunidade mundial que sempre colocaremos os interesses dos Estados Unidos acima de todos os demais, mas lidaremos de forma justa com todos, com todo mundo.

Todos os povos e todas as nações. Buscaremos terreno comum, não hostilidade; parceria, não conflito. E eu gostaria de aproveitar o momento para agradecer algumas das pessoas que realmente me ajudaram com essa vitória, a vitória desta noite, que já está sendo definida como uma vitória muito, muito histórica.

Aguardo ansiosamente o momento em que me tornarei seu presidente e, com sorte, depois de dois, ou três, ou quatro, ou até quem sabe oito anos, vocês dirão —tantos de vocês terão trabalhado duro para nós, conosco — e dirão que fizemos algo de grande, que vocês se orgulham de ter participado, e eu vou agradecê-los.

E só posso dizer que, embora a campanha tenha terminado, nosso trabalho nesse movimento está apenas começando. Vamos começar a trabalhar imediatamente para o povo dos Estados Unidos, e vamos fazer um trabalho que, espero, os leve a se orgulharem de seu presidente. Vocês se orgulharão. Repito: é uma honra para mim.

Que noite maravilhosa. Foram dois anos maravilhosos, e amo este país.

Muito obrigado.


Pois é...



Até breve.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

SEILÁ




No meu tempo era diferente.

Ouvia de meus pais que, por certeza, ouviam de meus avós que, quase certo, teriam ouvido de seus antepassados. E sempre.

E de que tempo é esse de que se fala? Não é o da infância ou da adolescência, porque não se sabe e nem da maturidade, porque já tendo passado, o tempo é de espera para o inexorável.

O tempo que é diferente de um para o outro é o da Segunda Idade. Tipo entre os vinte e poucos e os cinquenta e poucos. Ali que tudo acontece e, portanto, diferente de um para o outro.

A vida não dura mais do que trinta anos e é nessa fase de meio que se dá a geração e as transformações. Não há aqui nenhum lamento e nem sofrimento, antes pelo contrário, o que se propõe é mais agudo.

Nem que não haja vida antes ou depois, e muito depois, deste extrato. Não, antes pelo contrário. Meu caso mesmo, euzinho tô começando (já disse no post anterior) um ciclo novo. Então não se trata de dizer que moços e velhos não vivam.

O mundo circula na segunda idade e é ali que ele se transforma, tornando-se diferente a cada geração.
Só que, parece, estes ciclos estão mais abruptos e talvez já se pode dizer que há duas gerações dentro de um mesmo ciclo da Segunda Idade. Você aos quarenta não entenderá nada e não curtirá algo de um de vinte e poucos anos.

A diferença despirocou. A cada dez anos gira. E, acho, que daqui a pouco menos de dez. Liquidamente. Vaporosamente. Zazmente. A ponto de ninguém mais compreender o que, na real, está rolando.

Talvez a tecnologia seja a culpada, ou a responsável por esta desgraça, sim por que tudo tem que se alterar e, o pior, tão rápido? Por que eu tenho que a todo instante ter que me adaptar às avalanches? Deixe-me aqui com o meu tempinho.

Não tem escapatória, o tempo geracional avassala, solapa, exclui. Daqui cinco anos ninguém mais assistirá TV aberta. TV era um aparelho doméstico fixado nas paredes das moradias ou estático sobre móveis. Tinha uma programação regular dentro de horários estabelecidos. As notícias aconteciam em intervalo de horas.

O tempo era diferente.

Quem leu os clássicos de outros tempos ou de tempos mais recentes deve ter se arrupiado todo ao assistir o último Roda Viva da TV Cultura. Karnal e Pondé, dois ícones da filosofia de consumo dagora, extraindo das redes sociais ais ais e outros que tais. Nossa! Como pode alguém ser tão inteligente, meus deuses!!!

No meu tempo era diferente.

Tinha CDA.




Até breve.

domingo, 30 de outubro de 2016

QUATTRO



Este postita vem à tela esclarecer que: abre-se um novo ciclo, sem prejuízo dos anteriores. Claro que isto continua sendo matéria para o seu próprio umbigo e, alguns poucos, que perambulam por estas letras.

Balançando (no sentido de “apropriando” e deixando dúbia a ideia também de fragilidade) houve de se fazer uma ciclagem histórica de percurso. Óbvio trato aqui de mim mesmo, lilás como se isto fosse novidade.

A coisa começa cedo, mas diria que um primeiro ciclo cobre a fase de formação empresarial que fecha aos quarenta. Montadora de automóveis (multinacional), siderurgia (grupo nacional), alimentos (empresa familiar); mineração (grupo nacional) e financeiro (banco estadual). Graduação, especialização, mestrado e doutorado no machado.

Na sequência, dez anos como professor de Dom Cabral, Ibmec e FGV em programas de MBAs, especialização e “in companhy”. Além de palestras, workshops, seminários e congressos Brasil a fora. Vitimei neste período umas zil empresas e seus pobres incautos milheiros de executivos. Acho até que mais.

Dos cinquenta aos sessenta larguei o giz, o pincel atômico, a garganta e fui para vida real: intervenção consultiva via minha própria empresa de eu-sozinho. A VBA, nome da coisa, faturou contra perto de duzentas empresas. Transitei em todo tipo de desafio em diferentes setores da economia e portes de empresas. Gramei.

Quando fiz sessenta chutei o balde, achei que estava na hora de voltar aos sonhos de juventude conjugados com o de ancião. Escrever e avoalizar foi o intento. Plantei o dasletra e vieram um atrás do outro meus, até agora, quatro netinhos.

Aqui derramei meus espíritos intelectualóides. Fiz ruminescências, contei mentiras e invencionices, fiz contos, comentei das artes, do cinema, da TV. Opinei sobre política, sobre comportamento, sobre filosofia, sobre o diabo. Em quase mil posts. E, sobretudo, recebi via minhas letras a perspectiva da abertura da senioridade. Antecipei com historinhas a chegada da minha primeira neta.

Fevereiro completo 65 anos num corpicho de 65, carcumido por quatro cirurgias e outras miudezas de sentires. Aí bateu comichão e parti para abrir um novo ciclo.

Já disse aqui que estou juntando meus trapos de vivência organizacional com três feras a que se deu o nome de QUATTRO. Frescura de marqueteiros, acharam que puxando pelo italiano ficava mais must, chique, da hora. Eu, por mim, tá.

Fernanda, estrategista e pesquisadora dedicada à compreensão de movimentos culturais e comportamento de consumo e na transformação desse conhecimento na construção de relacionamentos entre marcas e pessoas. Observadora. 22 anos de experiência em pesquisa e estratégia. Mestre em Sociedade e Cultura (UFAM), especialista em Estudios sobre la Cultura Visual (Universitat de Barcelona) e Bacharel em Comunicação Social pela UFMG.

Heloisa, estrategista, gestora, vendedora e “marqueteira”. Consultora, empreendedora e conselheira. Geradora de ideias e conectora de pessoas e negócios. Alma global. Mais de 30 anos de experiência no Brasil e no exterior em empresas nacionais e multinacionais tanto na função executiva (C-level), como empreendedora e consultora. Bacharel em Administração pela UFMG, especialista em Marketing pela FDC e ESPM e formada em vendas e sustentabilidade na Cranfield, Wharton e Cambridge.

Júlio, Disruptivo. Especialista, inovador, pensador. Bacharel em Design pela UEMG, especializou-se na UIA (Università Internazionale dell’ Arte) – Florença, Itália, na Berlin School of Creative Leadership e na Fundação Dom Cabral SP / ESADE – Madrid. Mais de 30 anos de experiência no mercado da indústria criativa atuando com foco em inovação e estratégia mercadológica para produtos e serviços. Tem larga experiência em inovação, planejamento, estratégia de negócios, publicidade, digital, design e arquitetura comercial.

Tesão puro. Tipo como se eu estivesse começando agora. Lilás, como sempre.

Prá frente o dasletra segue...



Até breve.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

FUGAZ



Ontem, pela manhã, cruzei com Nelson. Nelson Cruz, laureado com Jabuti e que concorre novamente pela sexta vez ao prêmio. Conversa de minutos, mas dentro dela, sobre o processo criativo.

Nelson lembrou-se de uma entrevista de Fernando Sabino sobre o tema. O repórter havia perguntado à Sabino como ele produzia seus textos.

- Simples, eu coloco uma folha de papel na máquina de escrever e... Corto os pulsos.

Na sexta-feira no Som do Vinil do Canal Brasil, com o titânico Charles Gavin, Adriana Calcanhoto a propósito da obra de Lupicínio Rodrigues.  Lupe, como era chamado, compôs músicas que expressam muito sentimento, principalmente a melancolia por um amor perdido. Foi o inventor do termo dor-de-cotovelo, que se refere à prática de quem crava os cotovelos em um balcão ou mesa de bar, pede um uísque duplo, e chora pela perda da pessoa amada. Constantemente abandonado pelas mulheres, Lupicínio buscou em sua própria vida a inspiração para suas canções, onde a traição e o amor andavam sempre juntos.

Adriana disse que certa vez Caetano foi convidado a ouvir Lupicínio em grupo seleto de amigos do músico. Caetano sentou-se ao lado da esposa de Lupe. Na terceira ou quarta música, Caetano teria sido cutucado pela esposa do compositor e ouvido dela: “É tudo mentira!”.

Gavin, deixou uma pergunta no ar: “O que foi feito do amor?”.

Na sexta, ainda, assisti a Juventudes Roubadas, baseado na vida e obra da escritora inglesa Vera Brittain. Filme do diretor James Kent narra a trajetória de Vera que, contra a vontade do pai, consegue uma vaga na Universidade de Oxford. Mas não demora até que a Primeira Guerra Mundial mude seus planos.

O roteiro versa sobre os descaminhos do amor de Vera ao irmão, ao amigo e ao noivo durante a Primeira Guerra Mundial. Os relatos da escritora são considerados os mais fiéis a respeito do conflito.

No sábado, fomos tomar café na cafeteria da filha de uma amiga nossa. Thaís é uma belezura de trinta e poucos anos e lá, papo vai papo vem, perguntei sobre relacionamentos.

- Efêmeros e descartáveis... Pessoas são como celulares, usa-se e descarta-se caso não esteja atendendo às expectativas. Não há vínculos, compromissos, propósitos...

À noite do sábado, assisti à Queda Livre.  A história do filme é centrada em Marc policial à espera do filho que sua namorada carrega. O que Marc não poderia imaginar era que sua convivência com o policial Kay se tornaria muito mais intensa e íntima, fazendo com que os dois se envolvessem em um relacionamento. Marc precisa, então, fazer uma escolha entre o homem com quem vivencia uma experiência nova e a mulher que espera um filho seu.

Final de semana rico para pensar. O amor...

Noninha, em uma manhã dessas, colheu uma flor no jardim do prédio onde mora. Pediu à Josi um copo com água e depois colocou debaixo do abajur que fica em um dos criados ao lado da cama da mãe. Acendeu o abajur.

À tardinha, quando voltou da escola, Noninha retirou de lá e levou para seu quarto e, ao lado, colocou uma lanterna. Acesa.






Até breve.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

ROSA



E vou tentando e vou fazendo, desmanchando, refazendo, pensando. A parte já escrita eu vou sempre tateando. Nunca eu acho que tenho a inspiração completa, de saída, espontaneamente. Quando eu escrevo é como se eu quisesse pegar uma coisa que já existe. E não posso trair essa coisa. A criação da minha obra é uma tradução de uma coisa que eu não vejo. Há uma fidelidade a essa coisa que eu não sei qual é, mas sinto que tenho de guardar aquilo, de respeitar.

Os elogios até me deprimem. Quer dizer, em penso: e não sei como foi que aquilo ficou assim, eu não tenho a receita, não tenho a receita, não posso repetir isso. É como um cozinheiro que fosse botando coisa na panela sem tomar nota. 

Eu aprecio minhas coisas como se elas não fossem minhas. Às vezes eu pego uma coisa minha e digo "está bom, está bom" como sendo de outro autor. Eu gosto até de elogiá-las porque aquilo não sou eu. Houve tanto caminho, tanta mistura, tanta duração que eu depois sinto a coisa como se não tivesse ligação direta comigo. Eu descubro coisas a meu respeito depois lendo calmamente o que eu escrevi... Aprendo coisas a meu respeito me lendo.

Paradoxalmente o contato com os outros raramente se consegue quando se é extrovertido. Eu vou dar um exemplo: o grande ator representa para si, não para o público. O público não existe, está entre parênteses, está num mundo fechado, à parte. Do mesmo modo o autor se vai realizando e se vai projetando na sua estória imaginária e então ele tem que ser perfeito dentro daquele mundo. Para si próprio.

Todas as obras perdem mais ou menos aspectos de superfície, mas tudo o que perde por um lado ganha de outro porque a comunicação por meio da palavra tem muita coisa de incompleto, que precisa de ser completado, de indireto que pode ser explicitado. Às vezes resulta uma coisa humana, mais seivosa, mais comunicativa, mais... Todos recriam minhas coisas, lhes dão nova vida...

A minha concepção do mundo não é de verdade material, objetiva... Essa realidade objetiva não existe, eu não acredito nela, é apenas aparência. A verdade, a verdadeira realidade é outra coisa para além desse mundo objetivo, outra coisa... Portanto a explicação realista que na verdade nada explica porque na verdade todos os vivos atos se passam longe demais.

A verdadeira causa das coisas não é material. Não é o micróbio que mata, esses são apenas os agentes. Há mais alguma coisa... Nós estamos entre sombras. Por exemplo, a frase "O senhor sabe o que é o silêncio é? É a gente mesmo... Demais" Por quê? Porque no silêncio você sente você mesmo, de uma maneira muito forte. Por isso o silêncio assusta.

Quando eu digo "circunstristeza" não é para fazer uma palavra nova, é porque tenho que dizer que tudo estava triste, mas sem usar linhas que quebram a perspectiva, sem estruturas muito pesadas se não, não voa. Tudo influi. O negócio é como na música, uma nota, só uma, uma pausa, uma vírgula é importante, conta. Não é verdade?

Você não acerta quando vai consultar o dicionário para saber o sentido, quando não parte da melodia, quando não segue a música...

E sou muito objetivo, eu não sou pessoa que me sacrifique pela arte. A literatura não é a coisa mais importante pra mim. Eu sou um homem religioso. O importante pra mim é a religião compreende? Tenho um talento, coisas pra dizer, de maneira que eu escrevo. Mas nunca tive pressa com as minhas coisas. Não.

Eu não sou bom mineiro, mas o Carlos Drummond de Andrade, sim é...

Eu, eu noto, conversando com os outros companheiros meus, que alguns têm o livro na cabeça, ficam anos com ele, e depois é quase como se o um livro fosse uma saída deles mesmo, de alguma coisa que já existia neles. Eu? Eu não. Eu estou no meio de um vazio, aquele vácuo.

Sempre que eu ouço música começa a germinar uma coisa dentro de mim, minha alma desperta, minha imaginação acorda. Até cinema, quando eu vou ao cinema vejo outras coisas também. É que música, cinema, outros autores, tudo... São catalizadores, eles detonam coisas em mim.

Eu estudo gramática, é interessante saber como a língua funciona, né? Mas quando escrevo um livro não penso que estou escrevendo um livro: eu estou vivendo uma coisa, estou vendo uma coisa, estou pondo no papel essa coisa. De repente sai aquilo que eu escrevo, mas não é de propósito, é espontaneamente, sem forçar, é preciso que seja um ser vivo, um ser vivo.

Frangalhos de entrevista de João Guimarães Rosa, provavelmente a última, dada ao professor Francisco Camacho em abril de 1966. Quem quiser ler a entrevista toda, clique em JOÃO.



Até breve.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

TOLO



Pois é.

Eu devia estar alegre e satisfeito por morar na Savassi
Eu devia estar contente
Porque eu tenho um trabalho
Sou um dito cidadão respeitável
Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso na vida

Ah! Eu devia estar sorrindo e orgulhoso
Por ter finalmente sido publicado
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa

Eu devia estar contente
Por ter conseguido tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado

Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto: E daí?
Eu tenho uma porção de coisas grandes
Pra conquistar, e eu não posso ficar aí parado

Ah! Mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado

É você olhar no espelho
Se sentir um grandessíssimo idiota
Saber que é humano, ridículo, limitado
Que só usa dez por cento de sua
Cabeça animal
E você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial
Que está contribuindo com sua parte
Para nosso belo quadro social

Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada cheia de dentes
Esperando a morte chegar

Porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais
No cume calmo do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora de um disco voador

Frangalhos da letra do Raul Seixas, enxertada aqui e ali e suprimidas partes para dar conta de eu ter sido publicado. Se quiser ter prova clique aqui, páginas 31 e 32.



Até breve.