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sexta-feira, 24 de abril de 2026

BILHÕES

 


 

Notícia de hoje no Estadão:

Professora da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, Suzana Herculano-Houzel é uma das principais referências mundiais em neurociência. Seu trabalho revolucionou a área ao estabelecer, com precisão inédita, o número de neurônios do cérebro humano. São 86 bilhões - e não 100 bilhões como se acreditava.

Meus deuses, eu já não suporto tantas perdas ainda vem essa?

Eu sempre acreditei que tinha 100, agora acabo de perder 14. Bilhões.

Logo agora que eu preciso tanto de meus neurônios.

Se bem que, espere aí, eu já não vou precisar mesmo, quem sabe nem mesmo dos 14 que perdi (bilhões), primeiro porque estava longe de eu usá-los todos, nem a décima parte (claro), agora com a inteligência artificial...

Eba!!! Relaxei total.

Amebarei.


domingo, 5 de abril de 2026

OVOS

 


Quando criança ia à missa todo domingo, acreditando-me um garoto bom. Ou seria um bom garoto?

 

Não importa.

 

Aquela prática dizia de uma intenção dúbia entre demonstrar a quem tinha poder, Deus e minha mãe (não necessariamente nesta ordem) e uma outra razão, menos provável, eu era mesmo um bom garoto bom.

 

Não importa.

 

Deixei de frequentar igrejas, mais tarde inclusive as corporativas e políticas, por força de um episódio que relato aqui.

 

Domingo de Páscoa, igreja lotada, saindo fiéis por todos os lados. Hora da comunhão, pulo na frente da fila. Chega a minha vez e o padre divide a hóstia e me oferece a quarta minúscula parte.

 

Dalí em diante nunca mais acreditei em um corpo de Cristo construído por nós à nossa imagem e semelhança.

 

Achei melhor só tentar ser um bom garoto bom.

 

Feliz Páscoa!

 

Para ser bonzinho...

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

ORFANDADE

 



Abandono. Desamparo. Solidão. Desnorteamento.

Ausência do Pai Primevo.

O pai, e em sentido mais amplo o pai primevo, representa o ideal do grupo e as leis, regras e limites sociais que norteiam a vida do indivíduo, guiando-o em seu processo de desenvolvimento e maturação. 

Ouso entender que há evidências expressivas de uma ruptura no processo civilizatório, para além das circunstâncias de cada região, raça, etc.

Em diferentes estâncias do viver, o que se coloca é um encurtamento da perspectiva de sentido, especialmente na juventude, em que pese, aparentemente, as inúmeras sugestões de possibilidades de desenvolvimento.

Vazio.

Aqui, em um país de milhões de seres que, há décadas, assiste catatônico ou esquizóide, a cada pós-ciclo eleitoral, o juízo de colocar encarcerados as suas escolhas referenciais.

Pode existir drama maior?

É estar sem pai.

Esse ponto de referência e um ideal que direciona o ego e a construção da identidade. 

Que país é este? 


sexta-feira, 27 de junho de 2025

CURTA

 



Matéria de capa do Estadão de hoje:

 

PREFERIDAS PELOS ASSINANTES

1ª Alcolumbre pediu a Motta que votasse IOF para pressionar Lula a demitir Silveira.

 

Síntese perversa e dramática do que ocorre há décadas. Os interesses daqueles que ocupam o poder para transformar a realidade, mas que tramam, diuturnamente, trapaças para se locupletarem.

2026 vem aí, não demora não.

Vamos nos esgarçar, inclusive nos âmbitos mais íntimos, para manter tudo no mesmo lugar.

Aqui, chamamos de democracia.


terça-feira, 17 de junho de 2025

LENDAS

 

 

Tudo tranquilo. Tudo certo como dantes no quartel de Abrantes.

Tudo antigo, tanto quanto esta expressão.

Nenhum sinal de que algo, substancialmente, se altere. Nem lá, nem acolá, nem aqui, principalmente.

Guerras milenares, centenárias permanecem e outras eclodem para alegria perversa dos fabricantes, traficantes, atravessadores de armamentos.

Laboratórios produzem patologias que se ajustem aos seus medicamentos. 

As tramas ardem. 

Por aqui, nos identificam pelo CPF, explicitando um estado (assim mesmo, com “e” minúsculo para denunciar sua desfaçatez) que nos quer como meros contribuintes. 

E o Poder institucionaliza de forma Suprema aquilo que era secreto e orçava em milhões e agora bilhões. 

A corrupção endêmica se constitucionaliza.

Cidades se inviabilizam como espaço de convivência. Urbes agonizam. 

Minha cidade natal, Triste Horizonte, se engarrafa em cruzamentos traçados quando Curral Del Rei, seus milhões de veículos, mais numerosos que seus habitantes. 

A Cultura assiste ao último show de seus ícones de uma época em que as canções tinham letras e as músicas mais acordes, para nos acordar. 

É que fui, no domingo, com meus netos engrossar a bilheteria do COMO TREINAR SEU DRAGÃO. Saí de lá com a ilusão renovada. 

É possível extirpar a essência do mal.

Em duas ou três semanas a ilusão passa. Se for necessário tomo um desses comprimidinhos disponíveis ali na farmácia da esquina.

E volto ao normal. 

O real é o Real.

 


quarta-feira, 4 de junho de 2025

MARCOS

 



Escrever já esteve para mim como um passatempo.

Passou.

Agora escrevo por descuido.

Assim, de repente, uma recaída neural.

É que nada que escrevo é digno de nota, inclusive sifrãonica. E por outra, nada que circula no mercado a mim interessa. Se bem que não, até por isto mesmo ganha o meu interesse.

De por quê?

Tipo, nada causa. Tudo é nuvem. Passageira. De crimes hediondos a modas rebornicas. Não duram semanas.

O signo da efemeridade domina a espécie.

Aquela que registra o tempo de a.C/d.C. Antes do celular. Depois do celular.

Corte. TikTok.

Potencializado pelo artificialismo da inteligência. Algo rítmica.

Alucinante.

Houve um tempo de controle desta loucura, por outra: Mãe, Política e Religião.

Mãe, o Partido mais Conservador (aqui com duplo sentido) foi trabalhar fora. A Política mafiousse, não há Cosmes e Damiãos nas ruas. O Pecado foi pro saco, ninguém aqui quer que a vida seja eterna.

Hoje, o Supremo (adoro esta folia), julga o marco da infernet.

Mais um, ou outro, pico-na-veia não vai mudar em nada o delírio.

Estamos todos.

Reborns.



quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

MAÇÃS

 



Nem isto é verdade.

Isto, o que você acabou de ler. Não é verdade. Nem esta afirmação também e a próxima não será verdade.

Nada é verdade. Inclusive esta.

A verdade não há, embora cogite-se dela. Em algum lugar, qualquer.

Ali, perto, próximo de quem a vê, ainda que com seus próprios filtros, portanto, enviesada. Particular. Própria. Sofismável.

A verdade, portanto, é mentira.

Esta que é a verdade.

Com a proliferação de vieses, internáuticos, descensurados, o mundo pirou os cabeçotes.

A cabeça dança.

Poderes e podres poderes, e poderes santos e outros nem tanto, podem. Verdadiar, como quiserem.

A arte, portanto, é vadiar.

Especialmente a escrita, esta declinante forma de se expressar.

Me provocaram hoje sobre o escrever. A quem interessar possa?

A verdade.

Na foto, clicada supostamente por um ser humano, em meu sítio (há evidências cartoriais que atestam a propriedade), deu maçãs, sujeitas, após colheita, a verificação se natural ou artificial).


domingo, 1 de setembro de 2024

NÚMEROS

 



Ultrapassei a marca de 400 mil acessos ao meu blog.

 

Eu acho muito expressivo, ainda que não tenha essencialmente alterado em nada a minha vida e, o melhor, nada a vida de nenhum daqueles que se debruçaram sobre os meus escritos.

 

Isso me dá um pouco de egosplazia. Não me perguntem o que vem a ser egosplazia, porque é algo que me ocorreu agora e expressa o que sinto, às vezes, quando acesso a minha página e leio certos comentários.

 

Sofro, desde a infância, da necessidade de palco e acho que, também por isto, perdi tanto tempo meu e dos leitores que me acessam aqui no FB e mesmo no blog.

 

Nesta altura da vida não vejo a menor possibilidade de me libertar desta carência sindromática de loas, e vou ficar muito triste quando, esfriando da vida, não ver amigos, mesmo que parte deles virtuais, jogando flores sobre minha tumba.

 

E gostaria muito, também neste evento, de ouvir um ou outro dizer: “Era um idiota, mas pelo menos sabia disto”.

 

Minha idiotia não aconteceu por um acaso de nascença, não veio embarcada no DNA, não é herança maldita nem materna e muito menos paterna. Minha idiotia foi elaborada asneira por asneira, tolice por tolice, devaneio por devaneio, delírio por delírio.

 

Nem eu mesmo teria saco para reler os 1373 posts para comprovar isto. Aliás, o simples fato de fazer uma proposta desta me qualifica no rol dos idiotas mais distintos.

 

É claro que alguns posts, poucos é verdade, devem ser excluídos da pecha de terem sido escritos por um idiota, mas por um Zé Ruela de meia tigela. Incluiria nestes aqueles que escrevi para meus netos antes de nascerem. Para Liz principalmente, pois, por ter sido a primeira neta, foi a maior vítima de minha zerruelize.

 

Marcados por uma idiotia cavalar, todos, foram os posts sobre política. Estes foram aqueles que mais eu primei. Juro que me lembro do sentimento que experimentei logo após editá-los. E ainda me surpreendo como eu pude tantas vezes retornar ao tema, embora, não fosse assim, eu não poderia ser considerado de fato um tremendo idiota.

 

Aqueles posts em que fiz crítica a filmes, peças de teatro, músicas não posso dizer que entrariam no rol, foram na verdade espasmos intelectualóides de quinta catiguria. Não são propriamente nem idiotas e nem zerruélicos.

 

Contos e/ou crônicas do cotidiano? Putz! Esqueçam.

 

Mas sabem o que mais me credencia como um perfeito idiota?

 

É a insistência em sê-lo.

COLORS

 



Acho "linda" a tese de que há uma "esquerda" e uma "direita" internacionais.
Coloca um pouco de pureza na vilania, acreditando que os fundamentos da disputa tenham raizes ideológicas, portanto, louváveis.
O mundo não está pintado em duas cores, mas em uma única: a cinzenta. Tudo passa por exploração perversa de figuras históricas mais do que comprometidas por interesses escusos e inconfessáveis.
A História trouxe aos tempos presentes a pior categoria de líderes que se poderia desejar para construir um tempo de paz, justiça e prosperidade.
Acrescente-se à isto a revolta da natureza.
Tempestade perfeita.

sexta-feira, 26 de julho de 2024

LAPIDAR

    



Reduzir-me a esta insignificância mórbida?
Que nos aprisiona, sua magnânima, inexorável, insofismável certeza lúcida.
Não, eu não resistirei traduzido em restos, mas por marcas impregnadas pela minha passagem.
Permanecer em micronanomilimetro, um cabelímetro de meu no universo, da minha insignificância.
E você não levará, confirmando assim, a sua incompletude.
Não, você não pode tudo.
Não, não você não me levará, absolutamente.
É de fato provável que você saiba por onde andei, por onde marquei, mas jamais saberá quanto, porque isto você não levará de mim. Ficará em tantos com quem compartilhei meu coração bandido.
E, isto, você também não sugará porque será passado a tantos por todos os séculos e séculos.
Burra! Eterno sou eu.
Que sei, inclusive de você.
Rota, desnecessária, infame, sem graça, temporal.
Nula!


FOTO: Cantim de minha morada onde, espero, sejam lançadas as minhas cinzas.

terça-feira, 2 de julho de 2024

PICO

 



Comunico aos queridos amigos que, após minucioso diagnóstico, ser portador de doença rara entre humanos: Lucidez.

A Lucidez decorre do interesse do impaciente por busca do sentido da Vida, das relações de causa e efeito, da análise criteriosa de contextos, enfim, de todas as circunstâncias que assolam o portador.

O meu caso é considerado mais grave, porque agudo e crônico, na medida em que ao longo dos anos eu sempre me pautei pelo excesso no uso de informações de fontes fidedignas com alto nível de densidade de exatidão e pertinência.

A Lucidez pode ser letal via ocorrências de suicídio, surtos de ira ou descompensações, afogamento etílico e substâncias alucinógenas, inclusive em doses acima de 40 gramas (ou serão 30?), portanto ilegítimas (ou serão ilícitas?).

Até o momento, no meu caso, não ocorreram manifestações de nenhum dos ímpetos acima.

Um resto de humor ainda tem, e espero que permaneça, funcionado como antídoto a impulsos de autoextermínio ou a quadros de despirocações mais expressivas do que aquelas já manifestas no dia-a-dia.

Outro fator que tem contribuído de forma importante para atenuar o quadro dramático da patologia é a possibilidade de compartilhar a angústia resultante do agravamento da doença, pelo que agradeço eternamente aos queridos amigos que insistem em me visitar aqui.

Meu muito obrigado a todos.


segunda-feira, 27 de maio de 2024

MAU DITA DURA




Judiciário custou R$ 132,8 bi em 2023, com gasto mensal de R$ 68 mil por magistrado.


Valor médio do holerite de cada juiz supera em R$ 24 mil o teto do funcionalismo, segundo ‘Justiça em números’, documento elaborado pelo Conselho Nacional de Justiça; ao todo, cada um dos 203 milhões de brasileiros gastou R$ 653,70 para bancar o Judiciário.

Blog do Fausto Macedo, 28 de maio de 2024



Uma justiça que condena a mais de quatro séculos de reclusão em regime fechado um ex-governador e o mantém solto, não lhes parece extranho?

Uma justiça, cuja estrutura permite tantas chicanas para que réus por crimes hediondos (como corrupção cancerígena) não tenham seus processos julgados no mérito, não lhes parece extranho?

Uma justiça que condena ao fogo dos infernos penitenciários milhares de indivíduos (pretos, pobres, pústulos) que furtaram ou roubaram pães em padarias, leites em supermercados, portadores/consumidores de gramas de drogas malditas, que mataram seus iguais na desgraçada vida, não lhes parece escambo?

Pertencer a uma sociedade que a tudo vê e reproduz a cada pleito dito democrático o abominável status quo, não lhes envergonha?

Vale a pena assistir:   DEBATE


terça-feira, 9 de abril de 2024

DESASSOSSEGO

 

O mundo não é mais como costumava ser.

As réguas do passado com as quais medíamos os fenômenos não servem mais ao presente e muito menos ao porvir.

Religião, Política, Ciência nunca estiveram tão distantes dos propósitos que seus princípios assim as determinavam. Os balizadores que delas emanam quase sempre se mostram distantes do Bom, do Belo e sobretudo do Justo.

A Fé namora com o fanatismo exacerbado adoecendo cérebros e corações. Há sinais de uma patologia social evidentes.

O Poder infesta-se, aqui e acolá, de interesses escusos impensáveis e o campo de luta por supremacia vaza em perversidades generalizadas e de grosso calibre.

A disputa não se trava pelas veias ideológicas, antes fosse. Estudiosos da Sociologia, da Filosofia, da Ciência Política ou até mesmo da Teologia não têm teses sobre o que se passa. Os fins justificam os meios, é o que grassa.

A Pessoa não importa.

Alienar-se absolutamente tornou-se imperativo, quase terapêutico. Buscar conviver com a insignificância e o pouco que cabe na microfísica do seu poder talvez seja o último lenitivo que resta ao cidadão comum.

Sobreviver à sua vida comezinha e a sua gigantesca e, como nunca experimentada, impotência e perda de sentido.

A Utopia está morta.


terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

ABISMO

 


Ah, os nossos imensos problemas!

É preciso agravá-los com outros de maior calibre para que não apontemos os nossos verdadeiros escusos interesses e nossa incapacidade objetiva de superá-los.

Nossas lideranças, por nós escolhidas, independentemente de cores ideológicas, convicções e sobretudo moral, estão aprofundando há décadas o nosso abismo.

Triste país cujo povo aliena-se na redoma da "zona de seus interesses" (vide filme) ou por força de sua mais do que cruel histórica ignorância patrocinada intencionalmente pelos seus vis governantes.

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

BESTIAL

 




Não há limite à bestialidade.
Notícia de hoje no Estadão, coluna de Marcelo Godoy:
“No próximo dia 3 os venezuelanos fazem referendo convocado pelo regime de Maduro para saber se o país deve anexar pouco mais da metade da vizinha Guiana. No momento, em que o mundo vive as guerras da Ucrânia e de Gaza e assiste à ameaça chinesa a Taiwan, a Venezuela leva adiante o plano de tomar o território de Essequibo, uma área de 159 mil km² rica em petróleo e minérios.
Trata-se de uma disputa territorial que tem origem no século 19, quando a Inglaterra reclamou a região como parte de sua Guiana. Uma arbitragem internacional patrocinada pelos EUA lhe deu razão. O resultado foi contestado pela Venezuela e nova discussão ocorreu em 1966, quando a Guiana se tornou independente. Tudo foi retomado agora por Nicolás Maduro.
O general Domingo Hernández Lárez, comandante estratégico-operacional das Forças Armadas da Venezuela, também fez publicações apoiando o referendo: “O Essequibo é da Venezuela!”. Vídeos com deslocamento de tropas para a “frente de Essequibo”, próxima a Roraima, foram publicados, como o do vice-almirante Ashraf Abdel Hadi Suleimán Gutiérrez, que disse à tropa formada: “Esse território, por sua história, pela lei e pela tradição é da Venezuela”. Em seguida, ouve-se os “urras” de seus soldados. O próprio Maduro publicou imagens de desfiles militares com a palavras de ordens sobre Essequibo.”.
No sábado, estávamos com Totô e Lelê brincando em casa. De repente, meu filho Vlad, pai de ambos, olhou pra mim e disse:
- Pai, como eles são felizes, né?
Caramba, que amargura.

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

VIVER

 

Amanheci vivo em mais um Dia dos Mortos e me pergunto: o que faço deste dia além de uma reverência àqueles que se foram levando neles a parcela original que em mim permanece?

Sim, eu sou ainda feito dos meus mortos, que impregnaram marcas indeléveis, tatuadas em meu espírito e em meu corpo. Eu sou o legado de tantos de quem absorvi e, além, sigo buscando aquilo, que em mim, ainda quero vivo.

Estou animado? Retiro da palavra o seu radical que grita: Ânima. Alma, energia.

O que está insepulto clamando para que eu deixe ir? Mágoas, ressentimentos, decepções, amores frustrados, ainda que eu próprio não admita: ódio.

E o que em medida maior, está vivo em mim, que ainda me faz buscar o sol, a luz, o tempo?

Quais lutas, pelejas, proponho ainda empreender? O que quero ainda fazer? A nova casinha dos netos? Editar meus textos? Trocar aquela torneira, que insiste em vazar, uma água tão pouca?

Não deixar a vida fluir como se não fizesse sentido e abrir mão daquilo que me deixaram para que eu perpetuasse.

Os jardins de minha mãe, as obras brutas de meu pai, a candura de minha avó materna, o afeto infantil de meu sogro, e tudo daqueles que ainda esperam de mim que a melhor parte deles pro siga.

Eu tenho uma imensa responsabilidade para com os meus mortos por estar vivo. Não quero abdicar dela, esperando que aqueles que de mim descendem e daqueles que porventura marquei, quando eu for, encontrem algum motivo para que a cada 02 de novembro me reverenciem.

A Vida precisa seguir o seu curso.




quarta-feira, 18 de outubro de 2023

GODNEWS

 


 

O desastre climático explicita-se. No Amazonas o rio faz jus ao seu nome. Enegrece. Seca.

Em São Paulo foram roubados 21 armamentos de guerra do exército.

Também em São Paulo, dois cães da irmã de Ministro do STF foram atacados por um homem que já foi indiciado por lesão corporal grave. A polícia está no encalço.

No Rio de Janeiro, acho, Cristina Mortágua, capa da Revista Playboy de 1982 declarou à imprensa estar vivendo penúria financeira: “Minha situação está insustentável.”.

CPI ou será CPMI, conclui relatório e propõe cadeia para o ex-presidente da República. Tem sido assim nas últimas décadas.

Seleção brasileira sofre a primeira derrota para o Uruguai em 22 anos.

Lucas Lima comenta amizade com Sandy depois de separação.

Tin joga hoje à noite a segunda partida do campeonato regional de SC. Liz faz amanhã apresentação no teatro do CIC-SC de Street Dance.

Estima-se em 500 o número de mortos na explosão de um hospital em Gaza.

Ontem ameacei ou decidi deixar esta plataforma pela enésima vez. 

Minha hipocrisia é repugnante.




terça-feira, 17 de outubro de 2023

RUÍNA

 

Se vivêssemos um tempo de memória, nossas retinas estariam fadigadas de tantas tragédias e nossos corações não verteriam mais lágrimas. Segundo o site Wikipédia estão ativos hoje quase cinquenta conflitos bélicos em diversos continentes que mataram milhões de pessoas e continuam matando indiscriminadamente.

Ao perder nossa memória estamos expostos às notícias da semana, ou do mês, e esquecê-las diante de um próximo conflito que toda certeza explodirá.

Vivemos um declínio civilizatório vertiginoso.

Optei por enlouquecer em minha redoma, para não morrer de tanta tristeza. Ocorre que não acho honesto de minha parte continuar compartilhando a dinâmica do cotidiano da minha alienação assumida.

Extenuado de tanto refletir saídas no reduto da minha individualidade, sou obrigado a reconhecer que não existem, no plano da racionalidade, ações objetivas que possam contribuir para, minimamente, atenuar a tragédia pela qual estamos atravessando.

Vou poupá-los deste meu penar.

Faço o meu abandono desta página.





sexta-feira, 13 de outubro de 2023

TERROR

 


Palestinos fugindo da Faixa de Gaza. Foto: O Globo

A sociedade não pode mais querer punir o criminoso e não tratar das circunstâncias que podem estar fomentando e amplificando crimes.

O terror é a miséria, o descaso, a desesperança, o abandono, a ignorância, a falta de perspectiva.

O terror é a ausência de futuro.

Nosso conformismo tem nos levados aos culpados para não nos fazer tratar das culpas, pois é muito mais fácil. Com a prisão ou a dizimação de criminosos repara-se o crime, embora permaneçam as circunstâncias.

A vigilância da mídia e o espaço urbano big brother facilitam a existência da Cidade Alerta. Onde houver um crime, serão flagrados os criminosos, identificados, presos e lançados ao hediondo mundo do nosso equívoco.

O cientista político Francis Fukuyama observa que toda política se tornou identitária. O debate de ideias movido a reflexão foi substituído por um jogo de signos que exibimos nas redes. Este jogo não tolera ambiguidades, sutilezas.

A identidade é étnica, é política, é cultural e vem com um conjunto de opiniões estritas. Ou pensa exatamente aquilo, ou não pertence ao grupo. Mais: é contra o grupo. 

Só que a internet e, portanto, a política corrente, não tolera aquilo que complica. O ruído identitário quer calar a reflexão da qual o mundo precisa como nunca.

Ações em represália ao ato terrorista, intrinsecamente, resultam em uma amplificação do ato em si e convertem-se em combustível propagador da estratégia para desencadear mais terror.

A morte social é o terror.

 



quinta-feira, 12 de outubro de 2023

ALERTA

 



 

A história não é uma anedota com lições de moral.

A explicação real para a disfunção de Israel é o populismo, não alguma suposta imoralidade. Por muitos anos, o país tem sido governado por um homem-forte populista, Binyamin Netanyahu, que é um gênio das relações públicas, mas um primeiro-ministro incompetente. Ele deu preferência repetidamente aos seus interesses pessoais em detrimento do interesse nacional e construiu sua carreira dividindo a nação e fazendo-a voltar-se contra si mesma. Ele nomeou pessoas para ocupar posições importantes com base mais em lealdade do que em qualificação, assumiu o crédito por todos os sucessos, mas nunca admitiu responsabilidade por fracassos e pareceu dar pouca importância tanto em falar quanto em escutar a verdade.

Não importa o que alguém possa pensar a respeito de Israel e do conflito israelo-palestino, a maneira que o populismo corroeu o Estado de Israel deveria servir de alerta para outras democracias de todo o mundo.

 

Yuval Noah Harari em artigo para o Washington Post, publicado no Estadão em 12/10: O horror do Hamas é uma lição a respeito do preço do populismo.

 

Pois é.