sexta-feira, 19 de julho de 2019

ALELUIA





- E aí, Agulhô... Tá botando fé, não? Fui abordado ontem por uma amiga com esta prosaica questão.

Acordei de madrugada com esse trem me martelando os trilhos neurais. E aí me lembrei de meus antepassamentos para encontrar veio e postar.

Estivesse viva minha mãe engrossaria o rol daqueles que elegeram o atual comandante. Pelas mesmas motivações ela teria escolhido o da “bala na agulha – caçador de marajás” há trinta anos e o da vassoura há sessenta.

Minha mãe era uma mulher convicta e focada no bem a qualquer custo. Tanto que não poupou a nenhum de nós. Arremessava o que estivesse a seu alcance para nos apontar o caminho do bem. Surras eu levei de todos os dispositivos pedagógicos.

Meu pai, do alto de sua ignorância mais do que absoluta extraída do fato de nunca ter lido um livro sequer na vida, secundava-a com uma expressão emblemática: “Eu sou um homem reto”!

Ambos foram vitimados pelo Bem. Cegos das duas orelhas, com uma truculência a toda prova, não importavam a eles os meios, mas os fins.

E foi assim.

E eu não acho que tenha sido um privilégio de meus pais (queridos, ainda que aparentemente eu os espinafre aqui). Milhões de brasileiros sobreviveram e ainda sobrevivem, em que pese toda a avalanche de informações, na mesma expectativa.

Haverá alguém que nos governe em direção ao Bem.

Jânio, Collor e Messias em um intervalo histórico, entre um e outro, de trinta anos, explicitam a demanda brasileira: o Bem.

Reconheço que a erradicação do Mal com vassouras, antídotos marajaenzes, tudo pelo Brasil e Deus acima de todos não são, no fundo, uma ideia estapafúrdia. Faz sentido. O que nestes sessenta anos se produziu de vilania jamais será de todo contabilizado.

Então somente um Santo Guerreiro será capaz de nos livrar do Mal, amém.

O problema é que homens podem ser guerreiros, mas santos, eu tenho cá minhas dúvidas. Até porque o Bem sempre colocará em cheque quem está do lado do cabo e quem está do lado do chicote.

Pois é.

-- E aí, Agulhô... Tá botando fé, não?

Liz fará, no dia 01 de agosto, sete anos de idade. No sábado agora vamos fazer uma festinha para ela no sítio.

Acho que isto não é, de todo, mal.


Até breve.