quarta-feira, 24 de novembro de 2021

MISÉRIA

 






Adriana Varejão disse que a arte não tem função. O ofício de artista é como o de outro profissional qualquer. A arte não tem nenhum papel especial e jamais poderá ser entendida como capaz de transformar a realidade.

Para Ney Matogrosso, no entanto, a arte transformou a sua vida. Não fosse a música ele teria ficado louco.

Eduardo Galeano entendia que o mundo não está feito de átomos, o mundo está feito de histórias, porque são as histórias que a gente conta, que a gente escuta, recria, multiplica são o que permitem transformar o passado em presente e que, também, permitem transformar o distante em próximo, possível, visível.

Para Galeano as pessoas que mais dor sentem ao viver, as pessoas mais sensíveis são as mais vulneráveis. Em contrapartida, existem aquelas que se dedicam a atormentar a humanidade, vivem vidas longuíssimas, não morrem nunca, porque não têm uma glândula que na verdade é bem rara e que se chama consciência. É aquela que nos atormenta pelas noites.

Um filme como AMA-ME, cartaz na Netflix, pela universalidade dos problemas que encena, deveria sensibilizar às pessoas de consciência e em posição de responsabilidade para alterar o quadro de vulnerabilidade em que se encontram bilhões de pessoas sensíveis, mundo a fora.

O Estado, através de suas Constituições cidadãs, mantido por sociedades livres e supostamente soberanas, deveria ousar políticas que mitigassem ou eliminassem de vez esta barbárie.

Não há, lamentavelmente, nenhuma evidência objetiva de que isto ocorrerá. Antes, pelo contrário.

Inclusive, ou sobretudo, aqui.


Até breve.