segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

SI


"Tudo neste mundo é produto da fórmula 'função x economia'.
Por isso nada é obra de arte: toda arte é composição e,
por conseguinte, antifuncional.
Toda vida é função e, por conseguinte, não artísitca."
Hannes Meyer
(1923)


No fundo, falando assim muito de transparentemente, sem rebuscamentos e nem escondidos cravados, a solidão nunca faz de todo bem.

Verdade que o diálogo consigo próprio, no mais das vezes, é facilitado porque se tiver que mandar um ou outro calar a boca não resta constrangimento. Embora, e não são poucas, tem horas que é de amargar.

Isso tem a ver com fragilidades caras, coisas que em consultórios devem rolar soltas, e eu, como num vô, fico com elas aqui embrulhando estômagos. E dizem que ali é que a coisa pega e não nos miolos, onde resida a psique.

Tive uns tempos feicebocando, mas bordejei dali também. É grosso o trem. Voltei prá cá, porque nunca de sei com quem estou falando e aí, supostamente num tem nem debate e nem embate.

Aqui tem até um canto pra comentários, mas depois destes anos todos (de blog) já desisti. Ninguém vem prá cima. E quando vem - bom deixa prá lá -, porque são tão poucos os leitores que se for brigar com eles aí que eu vou continuar falando sozinho.

Pensar com o umbigo, porta de entrada da região dos embrulhos, ainda fica zoando bem. Ou não.

E é sobre que eu vinha falando lá de cima.

Eu desde menino fui circunspecto, mas saí pela vida no esculacho. Afinal, nem eu mesmo tem horas me suporto. Todo aquele que pensa é um porre.

Principalmente para si próprio.

Hoje então, nem se me fale.

Os anos têm debruçado sobre meus ombros neurais e vai ficando cada vez mais miúdo o sofrimento de querer, pelo saber a partir do nada, encontrar algum sentido no pouco que resta.

A vida econômica nos transformou a todos em autômatos funcionais. Independentemente de quanto jorrem contas bancárias. Montantes ou migalhas.

Melhor não enveredar por aqui senão entro no senso mais do que comum ou, como queria Nelson Rodrigues: “O óbvio que nos escandaliza”.

Outro dia disse a alguém (que queria por que queria sair de um imbróglio vivencial), mas fui eu quem mais ouvi: “Num vale a pena, faltam poucos anos para o fim”.

Droga de vida essa! Pico na veia, extenuante. A única certeza nos acomete e diz.

Se não escrevesse, enlouqueceria. E de tão covarde para não ser louco, turvo páginas. Eu deveria mesmo é ficar com meus botões toscos.

Não fosse para as nuvens para quem escreveria?


Até breve.