quarta-feira, 8 de novembro de 2023

BESTIAL

 




Não há limite à bestialidade.
Notícia de hoje no Estadão, coluna de Marcelo Godoy:
“No próximo dia 3 os venezuelanos fazem referendo convocado pelo regime de Maduro para saber se o país deve anexar pouco mais da metade da vizinha Guiana. No momento, em que o mundo vive as guerras da Ucrânia e de Gaza e assiste à ameaça chinesa a Taiwan, a Venezuela leva adiante o plano de tomar o território de Essequibo, uma área de 159 mil km² rica em petróleo e minérios.
Trata-se de uma disputa territorial que tem origem no século 19, quando a Inglaterra reclamou a região como parte de sua Guiana. Uma arbitragem internacional patrocinada pelos EUA lhe deu razão. O resultado foi contestado pela Venezuela e nova discussão ocorreu em 1966, quando a Guiana se tornou independente. Tudo foi retomado agora por Nicolás Maduro.
O general Domingo Hernández Lárez, comandante estratégico-operacional das Forças Armadas da Venezuela, também fez publicações apoiando o referendo: “O Essequibo é da Venezuela!”. Vídeos com deslocamento de tropas para a “frente de Essequibo”, próxima a Roraima, foram publicados, como o do vice-almirante Ashraf Abdel Hadi Suleimán Gutiérrez, que disse à tropa formada: “Esse território, por sua história, pela lei e pela tradição é da Venezuela”. Em seguida, ouve-se os “urras” de seus soldados. O próprio Maduro publicou imagens de desfiles militares com a palavras de ordens sobre Essequibo.”.
No sábado, estávamos com Totô e Lelê brincando em casa. De repente, meu filho Vlad, pai de ambos, olhou pra mim e disse:
- Pai, como eles são felizes, né?
Caramba, que amargura.

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

VIVER

 

Amanheci vivo em mais um Dia dos Mortos e me pergunto: o que faço deste dia além de uma reverência àqueles que se foram levando neles a parcela original que em mim permanece?

Sim, eu sou ainda feito dos meus mortos, que impregnaram marcas indeléveis, tatuadas em meu espírito e em meu corpo. Eu sou o legado de tantos de quem absorvi e, além, sigo buscando aquilo, que em mim, ainda quero vivo.

Estou animado? Retiro da palavra o seu radical que grita: Ânima. Alma, energia.

O que está insepulto clamando para que eu deixe ir? Mágoas, ressentimentos, decepções, amores frustrados, ainda que eu próprio não admita: ódio.

E o que em medida maior, está vivo em mim, que ainda me faz buscar o sol, a luz, o tempo?

Quais lutas, pelejas, proponho ainda empreender? O que quero ainda fazer? A nova casinha dos netos? Editar meus textos? Trocar aquela torneira, que insiste em vazar, uma água tão pouca?

Não deixar a vida fluir como se não fizesse sentido e abrir mão daquilo que me deixaram para que eu perpetuasse.

Os jardins de minha mãe, as obras brutas de meu pai, a candura de minha avó materna, o afeto infantil de meu sogro, e tudo daqueles que ainda esperam de mim que a melhor parte deles pro siga.

Eu tenho uma imensa responsabilidade para com os meus mortos por estar vivo. Não quero abdicar dela, esperando que aqueles que de mim descendem e daqueles que porventura marquei, quando eu for, encontrem algum motivo para que a cada 02 de novembro me reverenciem.

A Vida precisa seguir o seu curso.




quarta-feira, 18 de outubro de 2023

GODNEWS

 


 

O desastre climático explicita-se. No Amazonas o rio faz jus ao seu nome. Enegrece. Seca.

Em São Paulo foram roubados 21 armamentos de guerra do exército.

Também em São Paulo, dois cães da irmã de Ministro do STF foram atacados por um homem que já foi indiciado por lesão corporal grave. A polícia está no encalço.

No Rio de Janeiro, acho, Cristina Mortágua, capa da Revista Playboy de 1982 declarou à imprensa estar vivendo penúria financeira: “Minha situação está insustentável.”.

CPI ou será CPMI, conclui relatório e propõe cadeia para o ex-presidente da República. Tem sido assim nas últimas décadas.

Seleção brasileira sofre a primeira derrota para o Uruguai em 22 anos.

Lucas Lima comenta amizade com Sandy depois de separação.

Tin joga hoje à noite a segunda partida do campeonato regional de SC. Liz faz amanhã apresentação no teatro do CIC-SC de Street Dance.

Estima-se em 500 o número de mortos na explosão de um hospital em Gaza.

Ontem ameacei ou decidi deixar esta plataforma pela enésima vez. 

Minha hipocrisia é repugnante.




terça-feira, 17 de outubro de 2023

RUÍNA

 

Se vivêssemos um tempo de memória, nossas retinas estariam fadigadas de tantas tragédias e nossos corações não verteriam mais lágrimas. Segundo o site Wikipédia estão ativos hoje quase cinquenta conflitos bélicos em diversos continentes que mataram milhões de pessoas e continuam matando indiscriminadamente.

Ao perder nossa memória estamos expostos às notícias da semana, ou do mês, e esquecê-las diante de um próximo conflito que toda certeza explodirá.

Vivemos um declínio civilizatório vertiginoso.

Optei por enlouquecer em minha redoma, para não morrer de tanta tristeza. Ocorre que não acho honesto de minha parte continuar compartilhando a dinâmica do cotidiano da minha alienação assumida.

Extenuado de tanto refletir saídas no reduto da minha individualidade, sou obrigado a reconhecer que não existem, no plano da racionalidade, ações objetivas que possam contribuir para, minimamente, atenuar a tragédia pela qual estamos atravessando.

Vou poupá-los deste meu penar.

Faço o meu abandono desta página.





sexta-feira, 13 de outubro de 2023

TERROR

 


Palestinos fugindo da Faixa de Gaza. Foto: O Globo

A sociedade não pode mais querer punir o criminoso e não tratar das circunstâncias que podem estar fomentando e amplificando crimes.

O terror é a miséria, o descaso, a desesperança, o abandono, a ignorância, a falta de perspectiva.

O terror é a ausência de futuro.

Nosso conformismo tem nos levados aos culpados para não nos fazer tratar das culpas, pois é muito mais fácil. Com a prisão ou a dizimação de criminosos repara-se o crime, embora permaneçam as circunstâncias.

A vigilância da mídia e o espaço urbano big brother facilitam a existência da Cidade Alerta. Onde houver um crime, serão flagrados os criminosos, identificados, presos e lançados ao hediondo mundo do nosso equívoco.

O cientista político Francis Fukuyama observa que toda política se tornou identitária. O debate de ideias movido a reflexão foi substituído por um jogo de signos que exibimos nas redes. Este jogo não tolera ambiguidades, sutilezas.

A identidade é étnica, é política, é cultural e vem com um conjunto de opiniões estritas. Ou pensa exatamente aquilo, ou não pertence ao grupo. Mais: é contra o grupo. 

Só que a internet e, portanto, a política corrente, não tolera aquilo que complica. O ruído identitário quer calar a reflexão da qual o mundo precisa como nunca.

Ações em represália ao ato terrorista, intrinsecamente, resultam em uma amplificação do ato em si e convertem-se em combustível propagador da estratégia para desencadear mais terror.

A morte social é o terror.

 



quinta-feira, 12 de outubro de 2023

ALERTA

 



 

A história não é uma anedota com lições de moral.

A explicação real para a disfunção de Israel é o populismo, não alguma suposta imoralidade. Por muitos anos, o país tem sido governado por um homem-forte populista, Binyamin Netanyahu, que é um gênio das relações públicas, mas um primeiro-ministro incompetente. Ele deu preferência repetidamente aos seus interesses pessoais em detrimento do interesse nacional e construiu sua carreira dividindo a nação e fazendo-a voltar-se contra si mesma. Ele nomeou pessoas para ocupar posições importantes com base mais em lealdade do que em qualificação, assumiu o crédito por todos os sucessos, mas nunca admitiu responsabilidade por fracassos e pareceu dar pouca importância tanto em falar quanto em escutar a verdade.

Não importa o que alguém possa pensar a respeito de Israel e do conflito israelo-palestino, a maneira que o populismo corroeu o Estado de Israel deveria servir de alerta para outras democracias de todo o mundo.

 

Yuval Noah Harari em artigo para o Washington Post, publicado no Estadão em 12/10: O horror do Hamas é uma lição a respeito do preço do populismo.

 

Pois é.


segunda-feira, 9 de outubro de 2023

CINZAS

 



Desde os primórdios da civilização até o momento, 7% dos produtores de conhecimentos estão mortos, o que significa dizer que 93% estão vivos e produzindo conhecimento agora. É lamentável que com tantos saberes, agora em crescimento exponencial, nós não consigamos mitigar ou eliminar as razões que levam à alguns movimentos tão perversos, como mais este iniciado no final de semana.

Como se não bastasse, no filme SOM DA LIBERDADE, o protagonista diz: "Um pipelote de pó é consumido em poucos segundos, mas uma menina de seis anos faz cinco programas por noite até os 13 anos." Ele comparava qual tráfico é mais rentável: o de drogas ou o de crianças para a pedofilia. É devastador.

Tenho dúvidas se vivemos em um mundo de fato civilizado. Ressinto-me da minha impotência diante destes fatos justificando a minha alienação dentro de uma redoma colorida.

Às vezes, tenho imensa vergonha de me sentir em paz.


terça-feira, 3 de outubro de 2023

CA(A)TINGA


 

“Os fins justificam os meios.” (Maquiavel)

Não há síntese melhor para dar conta do que se passa, e há décadas, no Brasil.

Cangaço Novo, a série em cartaz pelo Prime Vídeo, atualiza, para os tempos que correm, esta dramática realidade.

Na real, o país investiga as práticas do juiz justiceiro que, independentemente de métodos e processos, perseguiu o libertador dos menos favorecidos que pilhou cofres públicos para transferir os recursos aos seus projetos de poder.

No filme, um deserdado da sorte com linhagem nordestina, retorna à terra natal para, com as próprias mãos, fazer justiça.

Na ficção o produto dos assaltos, na fala dos próprios justiceiros, é dos bancos, então podem sem roubados e transferidos para o povo.

Na real, não. E a gente sabe de quem.

Cangaço Novo além de servir para a gente se escandalizar com o óbvio, como queria Nelson Rodrigues, é uma excelente produção cinematográfica, com atores muito bem escolhidos, trama intensa em situações simultâneas, violência sem exageros e, pasmem, sem cenas de nudez e sexo gratuitas.

É só a primeira temporada da série.

Na real, ainda há mais de 1000 criminosos para serem julgados, pela cangaçada do 8 de janeiro. “Xandão neles!” grita o Zé Povinho.

"Não se pode justificar uma ação má com boa intenção. O fim não justifica os meios.” (Catecismo da Igreja Católica)

Pois é.

 


quarta-feira, 20 de setembro de 2023

KAIPAY.

 



Estivemos em Cuzco, Peru, em 2011. Hospedamo-nos no Hotel Monastério adquirido em 1999 pela Orient Express. Construído em 1595 sobre o Palácio do Inca Aman Qhala e fundado em 1598 como o Seminário de San Antônio Abad com o fim de formar sacerdotes católicos. Em 1692 tornou-se a Real Universidad Catolica, voltando a ser Seminário em 1816. Em 1965 foi restaurado por força de um terremoto ocorrido em 1950. Na década de 70 foi remodelado para converter-se em hotel. Uma maravilha!

Cuzco, em quéchua (idioma Inca), é COOSCO que significa centro do mundo. A cidade é localizada no centro das quatro regiões em que se dividia o Império Inca, a 3.350m de altitude e declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1984.

Visitamos QORIKANCHA, templo maior do Império, reverência ao Deus Sol. Foi construído pelos Incas em 1423 com pedras buscadas, no braço, a 7 km de distância. Quando os espanhóis chegaram a Cuzco em 1532 e viram o conjunto de obras, entre elas Qorikancha, repletas de ouro, consideraram-nas como sendo obras do diabo, já que para eles os incas seriam animais desprovidos de conhecimento e sentimento. Pobres colonizadores.

Fomos a SAQSAYHUAMÁN. Um imenso parque arqueológico. Os Incas plantaram ali o monumento ao Deus Raio, e reverenciaram as lhamas e os pumas, animais símbolos da cultura, assim como o condor (Machu Picchu). A construção com perto de 700 metros de extensão em forma de zig zag (lembrando a descarga elétrica produzida por um raio) de dois platôs de quatro metros de altura construído com blocos imensos de pedra trazidos de jazida a 14 km de distância pensando até 120 toneladas, cada bloco. INACREDITÁVEL! O encaixe dos blocos foram milimetricamente estudados e as pedras polidas. Há duas composições na parede inferior: uma pata do puma e outra o corpo da lhama, dentro da composição de blocos cuidadosamente colocados uns sobre os outros.

Fomos conhecer a Catedral de Cuzco. No geral ela não difere de outras tantas, mas há um particular: o sincretismo religioso, isto é, a convivência entre as duas culturas, Inca e espanhola. Os espanhóis tiveram que ceder muito aos operários e artistas nativos. A pregação católica colocou para os Incas que somos feitos à imagem e semelhança de Deus. Os quadros pintados e fixados nas paredes têm cavalos com corpos de lhamas e um Cristo de baixa estatura com as pernas cambotas e arqueadas, como as dos Incas. No suporte dos braços dos tronos do coral central, os “índios” artistas escandalizaram os espanhóis com as esculturas de mulheres com os seios desnudos e o ventre proeminente (deusa Terra).

A provocação maior está no quadro que retrata a Santa Ceia. Uma tela de quase dezesseis metros quadrados. À mesa não está um cordeiro, mas sim um CUY (porquinho da índia, que era um animal comum no prato dos Incas). “Quem foi Judas?”, perguntou o artista Inca ao espanhol responsável pela obra da Catedral. “Judas, foi o traidor de Cristo por dinheiro.” A representação de Judas lembra a todos os nativos o rosto de Pizarro, colonizador espanhol. Sobre a mesa, ainda, da Santa Ceia, duas garrafas de Chicha, suco de milho roxo, sem álcool, bebida típica cuzquenha. As imagens esculpidas das virgens são todas com a barriga enorme: grávidas.

Ao voltar para o Brasil eu trouxe algumas palavras que servem a uma síntese dessa experiência. Meu caminhar pelo diverso não tem a busca apenas no estético, mas e, sobretudo, ao que ele me remete.

Os Incas nos deixaram um precioso legado. Sobre altitude, terremotos e outros desastres ambientais, fortes chuvas, intenso inverno, sol escaldante, configurações geológicas íngremes, vales de alto risco de desprendimento de rochas, falta de animais para transporte de cargas, e um sem-número de outros obstáculos, ainda assim, em que pese todas essas restrições eles edificaram um patrimônio à humanidade deixando um tributo histórico de inestimável valor.

Foram colonizados, mas não perderam sua dignidade. Ouvi de um nativo: “Não tínhamos pólvora e nem cavalos, nos submetemos, mas eles não tiraram de nós as nossas tradições.” Esse parece ser o lema da essência da cultura Inca que é expressa numa palavra: KAIPAY que, em quéchua, significa RESISTÊNCIA.

Em outras viagens estive em templos sagrados em Taipei e Thaithong em Taiwan; diante da Sagrada Família de Gaudi em Barcelona; visitei a cidade arrasada de Pompéia; emocionei-me diante da Acrópole em Atenas; nas ruelas de Alhambra e Toledo na Espanha. Estive diante do Muro da Vergonha e visitei o monumento dedicado aos judeus vítimas do holocausto em Berlim e, em Dresden, a igreja reconstruída após cessarem os bombardeios na Alemanha. Percorri, em Moscou, o Salão das Lágrimas do Memorial à Segunda Guerra Mundial. Atravessei os lagos Andinos; vi a agonia do povo cubano no ocaso de um propósito; visitei a vila feudal de Monserrat em Portugal; o Coliseu e as diversas maravilhas de Roma. Deliciei-me com a irônica crítica de Miguelângelo na Capela Sistina. Pisei na Praça Celestial em Pequim e nos pomares do Kremlin.

Fui privilegiado por tantas outras peregrinações, no entanto, o todo daquela visita ao Peru diz respeito às minhas entranhas de cidadão do universo latino-americano, historicamente violentado, vilipendiado, humilhado pelos conquistadores ainda hoje com seus macabros, sedutores e perversos simulacros. Já era e continuará sendo minha regra de conduta no âmbito da microfísica do meu poder, no cotidiano, na família, no trabalho, na vida.

Quero fazer parte daqueles que resistem.

 


quinta-feira, 7 de setembro de 2023

MORTE

 



Collor não cumprirá os mais de vinte anos de cadeia, pois foi um erro de julgamento.
Fernando Henrique nunca barganhou para a extensão de mandato e nem de reeleição.
Não houve corrupção federal no período de 2003 à 2010.
Dilma nunca andou de bicicleta.
Temer nem sabe quem são os irmãos de carnes e sequer frequentou portos.
Pandemia, só fora do Brasil. Aqui não morreram mais de 700 mil pessoas, boa parte delas por negligência do inquilino do Palácio da Alvorada cinza.
Nada como um povo independente.
De Justiça.

FOTO: ILUSÃO, captada em galeria da Infernet.
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sexta-feira, 11 de agosto de 2023

VERA

 


Feitas as contas, ainda que com resultante inexata, achei que deveria trazer à post. Post à prova.

Meu dizer é tão chocho, descredidente que, mais um menos um, não fecharia em nada. Outro dia tava dizendo disso aqui. Por conta de Kundera. Nada.

Pois é.

É que, com quem compartilho a Vida há quase cinquenta anos, enveredou-se por estas searas shakespearianas, desde criancinha.

É que Pretinha, também, há décadas, visita charlatã, pseudocientista, mesmo eu tendo, há décadas, vindo dizendo a ela que eu não posso ser tão rico a ponto de tê-la afetado tanto.

Hoje ambas pregam peças em seus consultórios. Consultórios? Não serão, esconderijos à Lei?

O Pai da Coisa, da Peste, não formulou em microscópio. É Obra Literária, não Tratado.

Um de seus adeptos, lacanizou enunciados de linha. Vai estudá-lo a fundo procevê. Eu num recomendo. E o pior, não cura nada.

Poetas mal resolvidos. Ou mau?

Supunhetemos que a Psicanálise não seja, à luz microscópica, Ciência. Assim mesmo, com “C” maiúsculo.

Este (ou será esse?) discurso cabe interpretação.

Aos adeptos, a sessão está encerrada.

Voltem na próxima semana.



sexta-feira, 4 de agosto de 2023

ONDA

 


Todos com 23 anos ou mais de idade devem considerar-se privilegiados.

Cruzamos uma década, um século, um milênio. Somente daqui a 977 anos, se houver ainda, a espécie experimentará novamente viver essa “virada”.

Pois é.

Como diz Tin: “Nada a ver.”, quando algo não tem tanta importância.

Ocorre que, contrariando meu netinho, eu acho que deveríamos dar alguma atenção.

Há evidências imensas, variadas e contundentes que, se não estamos no limiar, estamos próximos de ter que fazer escolhas fundamentais para o futuro que queremos como espécie.

Clima, distribuição da riqueza, migração e emigração, geopolítica, energia, água e, sobretudo, relações.

Neste último campo somos primatas, quase. Basta acompanhar o cotidiano noticiado, ou olhar para o lado. Ou para si.

Algumas relações, quase sempre, sobrevivem em circunstâncias dramáticas ou por conveniências toleráveis.

Das quase cem guerras declaradas espalhadas pelo mundo, uma com potencial nuclear, daquele casal ali, daquela família, daquela equipe, condomínio, cidadãos, de mim e de você. De nós. Todos.

Na onda que temos surfado não vamos mais precisar de inteligência cognitiva embarcada em neurônios. “Inteligência” estará à nossa disposição nas nuvens, por um clic, uma voz, uma íris, um calor de alguma parte do corpo.

Tudo será possível saber e obter com acessibilidade, portabilidade e instantaneidade.

Menos como viver com o outro.

“Nada a ver, vovô.”


domingo, 30 de julho de 2023

FUSÕES

  



Sim, é possível e urgente a vivência com os contrários.
Ma-ra-vi-lho-so!
Indispensável para adultos insensíveis.


TONS

  




A Bomba não resulta da busca incansável pela genialidade e pela superação dos limites da Ciência.
A Bomba é urdida pela ilimitada perversidade que permeia a história des-Humana.
A Bomba não se manifesta apenas em megatons, mas também em corruptons que asfixiam o desenvolvimento da nações.
A Bomba é a Puslítica.


quinta-feira, 22 de junho de 2023

ABECÊ

 

“Há um descompasso entre a decisão do Copom e o que acontece no Brasil”. Fernando Hadad

 

Ah, BC!

 

Afinal:

 

Ø Em viagem à Roma, o presidente acertou com o Papa que nem a Rússia e nem a Ucrânia podem vencer a guerra;

Ø  O capitão comandante do Exército Brancaleone ficará inelegível até o final da terceira década perdida do Terceiro Milênio;

Ø A estrutura com 37 ministérios está conforme na MP original, inclusive para o Meio Ambiente e os povos indígenas;

Ø   O advogado, que não foi padrinho, já é Supremo;

Ø Todos os principais investigados e sentenciados da famigerada operação Mãos Limpas, ops, Lava Jato, estão soltos e/ou terão seus processos anulados;

Ø Mais de duas balsas de garimpeiros ilegais foram explodidas pela Polícia Federal na Amazônia;

Ø O Calabolso Fiscal está aprovado no Senado estabelecendo que o Governo pode ultrapassar os gastos acima do índice da inflação e contemplando uma licença para gastar em Ciência e Tecnologia;

Ø Todas as CPIs e CPMIs transcorrem em clima circense moderado com desfechos absolutamente previsíveis;

Ø A Reforma Tributária equacionará a secular injustiça de que, como quer um Ministro de Estado, “um pobre do nordeste adoraria ser pobre no sul;

Ø Carlo assumirá a amarelinha em meados do ano que vem, considerando-se certa a classificação para a próxima Copa do Mundo já que o Brasil não jogará contra nenhum time africano;

Ø Reforçada a democracia e o estado de direito, pois quem discriminar os cidadãos ocupantes do Parlamento poderão ser sentenciados em até quatro anos em regime fechado;

Ø  Monark continua impedido de pedalar nas redes sociais.

Ø  O inverno começou ontem e deverá fazer mais frio do que no verão.


quinta-feira, 15 de junho de 2023

AMÁLGAMA



 

A sucessão é uma das artes da governança mais sensíveis para garantir a perenidade das organizações. Seguramente não é território para amadores.

Exemplo disso pode ser colhido no processo político das últimas décadas em nossa republiqueta, tragicamente instalada na América Latrina.

Notícia de hoje no Estadão:

“A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira, 14, em votação relâmpago, um projeto de lei que pune o que chama de “discriminação” contra políticos. O texto é de autoria da deputada federal Danielle Cunha (União Brasil-RJ), filha do ex-deputado Eduardo Cunha. Vista como instrumento para blindar alvos da Operação Lava Jato, a proposta pretende colocar na cadeia quem recusar serviços, em instituições financeiras, para um político ou para seus parentes.

O texto que tipifica essa modalidade de discriminação foi posto em votação pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), de última hora, e teve o apoio do governo Luiz Inácio Lula da Silva. O projeto recebeu 252 votos favoráveis e 163 contrários. A proposta segue agora para o Senado.

Homem de confiança de Lira, o relator Cláudio Cajado (PP-BA) só entregou o relatório final, com o texto substitutivo, depois que a proposta entrou em votação por volta das 20h30. O presidente da Câmara conseguiu aprovar, em menos de 30 minutos, o requerimento de urgência, com 318 votos a favor e 118 contrários. Logo na sequência já colocou o projeto na votação do mérito da matéria, mesmo sob protesto de parlamentares.”

Não sei se há parâmetros comparáveis com outros países de gestão tratada com tão elevada competência.

quinta-feira, 8 de junho de 2023

CORPUS CHRISTI

 

Ó, Pai
Não deixes que façam de mim
O que da pedra tu fizestes
E que a fria luz da razão
Não cale o azul da aura que me vestes
Dá-me leveza nas mãos
Faze de mim um nobre domador
Laçando acordes e versos
Dispersos no tempo
Pro templo do amor
Que se eu tiver que ficar nu
Hei de envolver-me em pura poesia
E dela farei minha casa, minha asa
Loucura de cada dia
Dá-me o silêncio da noite
Pra ouvir o sapo namorar a lua
Dá-me direito ao açoite
Ao ócio, ao cio
À vadiagem pela rua
Deixa-me perder a hora
Pra ter tempo de encontrar a rima
Ver o mundo de dentro pra fora
E a beleza que aflora de baixo pra cima
Ó meu Pai, dá-me o direito
De dizer coisas sem sentido
De não ter que ser perfeito
Pretérito, sujeito, artigo definido
De me apaixonar todo dia
E ser mais jovem que meu filho
De ir aprendendo com ele
A magia de nunca perder o brilho
Virar os dados do destino
De me contradizer, de não ter meta
Me reinventar, ser meu próprio deus
Viver menino, morrer poeta.
ALMA NUA
VANDER LEE



terça-feira, 6 de junho de 2023

TECLADOS

 

 

- Lozinho...

- Mãe?!!!

- Tudo bem, meu filho?

- Como a senhora quer?

- Como assim? Estou querendo saber como as coisas andam por aí...

- Depende da narrativa...

- O quê?!!!

- Nunca fatos importaram tão pouco, mãe. As versões que se propagam é que passam a constituir a realidade...

- Mas sempre foi assim, meu filho...

- É que agora, com a tecnologia, as estratégias de massificação de interesses tornaram-se assustadoras...

- Goebbels...

- Pior, mãe.

- Tome cuidado, Lozinho.

- Estou reduzido à minha insignificância...

- Não fale assim, meu filho.

- Estou vivendo no sítio, recluso com meus fantasmas. E está sendo bom de doer.

- Não vá viver igual à sua mãe, hein...

- Agora que a senhora me diz isto?

- A solidão, às vezes, é nutriente, né?

- Outra coisa herdada foi jardim...

- E eu gostava mesmo, era toda a minha alegria... Minhas roseiras...

- A senhora precisava estar aqui para ver os meus jardins...

- Posso imaginar, meu filho.

- E tem os netinhos, cada um mais amoroso e interessante.

- Adoraria tê-los conhecido.

- A menorzinha, a Lelê, participou de um recital de piano promovido pela escolinha.

- Que maravilha, meu filho!

- Ela ainda não deixou marcas nos teclados, só tem dois meses de aula...

- Sei, mas se começou é só seguir, né?

- Mãe, esteve um coleguinha dela da mesma idade, sete anos, arrebatador.

- Arte, Lozinho.

- Momentos como aquele é que ainda me valem a pena...

- Beijos, meu filho, fique bem.

- Estou bem, mãe. Beijo procês daí, também.