terça-feira, 7 de abril de 2026

PODER




O óbvio que escandaliza.

Executivos não quebram empresas. O protagonismo do desastre deve ser sempre entendido como dos acionistas.

Executivos não podem demitir acionistas. Acionistas demitem, e com que frequência, executivos.

Portanto.

Estou desde 1967 “rodando bolsinha” no mercado corporativo e já vi de tudo no board.

Como executivo, como professor de escolas de negócios, como consultor e como conselheiro.

No início sofri muito quando procurava contribuir e “os donos” não acatavam minhas ideias. A minha incompetência, inadequação de abordagem ou senso de oportunidade, que não foram poucas, jamais produziram um insucesso maior quando, no óbvio, a ação ficava sobre o poder discricionário daquele que “verdadeiramente manda”.

Daí minha tristeza. “O abismo é logo ali”, avisava. E o infeliz, ou a infeliz, mergulhava de cabeça.

Aos setenta e quatro anos permito-me refletir sobre a minha tristeza e fazer algo por ela. Reconhecer que há muito a aprender ainda para poder contribuir na construção, com os donos, de decisões que impliquem em melhores resultados.

Mesmo sabendo que nem sempre isto será de todo possível.

É óbvio.   

domingo, 5 de abril de 2026

OVOS

 


Quando criança ia à missa todo domingo, acreditando-me um garoto bom. Ou seria um bom garoto?

 

Não importa.

 

Aquela prática dizia de uma intenção dúbia entre demonstrar a quem tinha poder, Deus e minha mãe (não necessariamente nesta ordem) e uma outra razão, menos provável, eu era mesmo um bom garoto bom.

 

Não importa.

 

Deixei de frequentar igrejas, mais tarde inclusive as corporativas e políticas, por força de um episódio que relato aqui.

 

Domingo de Páscoa, igreja lotada, saindo fiéis por todos os lados. Hora da comunhão, pulo na frente da fila. Chega a minha vez e o padre divide a hóstia e me oferece a quarta minúscula parte.

 

Dalí em diante nunca mais acreditei em um corpo de Cristo construído por nós à nossa imagem e semelhança.

 

Achei melhor só tentar ser um bom garoto bom.

 

Feliz Páscoa!

 

Para ser bonzinho...

quinta-feira, 5 de março de 2026

TURMA



O cidadão nasce e é cadastrado. 


Torna-se contribuinte.


Dizimista da máfia que, há décadas (ou serão séculos?) se apodera das instituições que formam o Estado.


Trabalha para sustentar seus projetos e constituir negócios lícitos e família próspera.


À um custo imenso, já que manter o tecido cancerígeno do poder, famigeradamente nomeado como democrático, é dramático.


A máfia toma parte significativa de todas as reservas destinadas à Saúde, Educação, Segurança, infraestrutura.


E, sobretudo, a máfia destrói com seus tentáculos institucionais, a esperança. 


Icônico o grupo de WhatsApp do porcaro de plantão: A TURMA.


O Brasil não sente mais o câncer que o solapa.


O Mal faz parte do que o constitui.


A cidadania agoniza.


Em frangalhos.