terça-feira, 7 de abril de 2026

PODER




O óbvio que escandaliza.

Executivos não quebram empresas. O protagonismo do desastre deve ser sempre entendido como dos acionistas.

Executivos não podem demitir acionistas. Acionistas demitem, e com que frequência, executivos.

Portanto.

Estou desde 1967 “rodando bolsinha” no mercado corporativo e já vi de tudo no board.

Como executivo, como professor de escolas de negócios, como consultor e como conselheiro.

No início sofri muito quando procurava contribuir e “os donos” não acatavam minhas ideias. A minha incompetência, inadequação de abordagem ou senso de oportunidade, que não foram poucas, jamais produziram um insucesso maior quando, no óbvio, a ação ficava sobre o poder discricionário daquele que “verdadeiramente manda”.

Daí minha tristeza. “O abismo é logo ali”, avisava. E o infeliz, ou a infeliz, mergulhava de cabeça.

Aos setenta e quatro anos permito-me refletir sobre a minha tristeza e fazer algo por ela. Reconhecer que há muito a aprender ainda para poder contribuir na construção, com os donos, de decisões que impliquem em melhores resultados.

Mesmo sabendo que nem sempre isto será de todo possível.

É óbvio.   

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