sexta-feira, 1 de novembro de 2013

SUMO



Ainda sobre BIOGRAFIA E GRITO DE LIBERDADE.

"Quando o Arquivo de História Oral (fundação sem fins lucrativos que patrocinou o filme) entrou em contato comigo, eu fiquei chocado. Estava na Espanha, e a primeira coisa que eu disse foi que nunca havia feito um documentário. Minha experiência sempre foi com filmes de ficção. Não sou um especialista em história e política africana. Eles queriam que o filme se parecesse mais com uma ficção do que com um documentário histórico para atingir uma audiência vasta e internacional. Eles também tinham a sensação de que a maioria dos diretores sul-africanos tinham uma visão similar sobre a apartheid, e queriam algo diferente.

Eles têm um projeto no qual estão criando um arquivo enorme de entrevistas com todas as pessoas que tiveram participação na mudança política da África do Sul, porque durante muitas décadas a história foi contada apenas sob uma perspectiva (a do governo), que censurava toda a informação. Existiam muitas histórias que não estavam sendo contadas logo após o fim do apartheid. Agora, muitos cineastas, historiadores e jornalistas estão tentando entrevistar tais pessoas, antes que elas fiquem muito velhas ou morram. Minha codiretora Mandy Jacobson convenceu Jean-Yves Olliver, que estava com quase 70 anos, a contar sua história – ele é nosso personagem mais jovem".

Esta é parte da entrevista dada por Carlos Agulló (deve ser parente meu distante) diretor espanhol do documentário PLANO PARA A PAZ, vencedor da 37a Mostra Internacional do Cinema de São Paulo, categoria Documentário, agraciado ontem.

Lições de Harmonia, filme do diretor casaquistanês Amir Baigazin, venceu na categoria de Melhor Filme. A crítica enuncia que, apesar do título, é muito mais um exercício de desarmonia, sobre o estado de desordem do mundo.

Continuo achando que a arte dá sim uma contribuição importante para a transformação da realidade e o fato da Mostra ter distinguido estes signos é porque dizem respeito ao que vivemos no presente muito próximo de nós.

A questão das manifestações de rua no Brasil ultrapassam aos reclames expostos nos cartazes e o debate das biografias idem, supera em demasia aos limites das Verdadeiras Importantes Pessoas.

No fundo ou por metáfora e somado a tudo que se divulga no terreno da política e da economia vale atenção ao desenrolar dos fatos.

Eles não são produtos da ficção.



Até breve.

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