domingo, 22 de abril de 2012

SANGUE III



Raül, amigo do Lé, é catalão. Ruben, seu irmão foi quem o ajudou a comprar os ingressos para que eu e meu filho pudéssemos estar ontem no Camp Nou para assistir Barcelona e Real Madri.

No estádio, um vizinho de assento interpelou-me querendo saber como eu havia conseguido o ingresso para estar naquele lugar. Ruben tem um amigo que trabalha na instituição. Sim, porque mais do que uma paixão ao futebol ou a um clube, é uma arena em que se procura explicitar a identidade secular de um povo que clama, e pacificamente, por sua liberdade.

Somente os “abonados” (associados) podem ter acesso ao estádio e são hoje cento e cinqüenta mil pessoas. Camp Nou tem noventa e oito mil lugares o que vale dizer: há mais credenciados do que espaço na arena.

Senti um fio de dor ali. As bandeiras sobre as costas de alguns, com a estampa de uma estrela e listras em amarelo e vermelho, flamulando o desejo de liberdade. Em 1714 a Catalunha perdeu a guerra para Felipe V, Rei de Espanha e desde lá passou a pertencê-la.

Raül nos disse que está esgotada a capacidade da Catalunha carregar a Espanha. Toda a produção de riqueza está nas cercanias cujo centro é Barcelona. Madri, por outro lado, consome.

Já não há mais condições de bancar o princípio do “bem-estar social”, incluso aí o de seus imigrantes. Há incentivos do estado para aqueles que, sem ocupação ou desempregados, deixem o país. Ainda assim eles permanecem.

Para mim seria necessário muito mais tempo para poder entender o que se passa em Espanha.

Em 1978 na final da Recopa (disputa entre os melhores times de futebol europeus) que ocorreu na Basiléia, Suíça, não havia no estádio nenhuma bandeira do time do Barcelona, apenas da Catalunha.

Experienciar, ontem, junto as mais de noventa mil pessoas, da formação do mosaico de cores, levantando um dos cartazetes ao som do hino do Barça, fez parte da emoção de me sentir integrado à proposta catalã: SOM I SEREM, cuja tradução livre para o português seria: SOMOS E SEREMOS.

O final da partida em que Madri saiu vitoriosa (Cristiano Ronaldo, um português, marcou o tento que calou o estádio e foi para próximo às arquibancadas fazendo gestos sinalizando para que a torcida se aquietasse) me pareceu simbólico. O estádio em peso e com maior intensidade levantou-se e cantou novamente o hino do Barça.

Hoje, pela manhã, Raül e Ruben acompanhados por Alberto (outro amigo) nos pegou para visitarmos o Mosteiro de Montserrat, quarenta e poucos quilômetros de Barcelona. Depois nos levou à Alcarraz, cidade onde vive com esposa (super simpática) e sua filhinha maravilhosa. Fomos almoçar com a família dele que é proprietária de um restaurante na cidade. Lá estavam ainda a irmã mais nova de Raül, Joel (outro amigo do Lé) sua  super simpática esposa e sua filhinha maravilhosa, além naturalmente dos pais de Raül.

São oportunidades ímpares que a vida nos reserva. Fomos recebidos com imenso carinho e atenção por todos. Eu pude conversar um pouco com José Solis, pai  de Raül, que há vinte e três anos atrás deixou uma grande empresa espanhola que o obrigava a inúmeras viagens, mantendo-o distante de casa. Ele, na época, optou pela família e montou o restaurante em Alcarraz.

Na conversa com José Solis surgiu o assunto de descendências e ele me garantiu que Agulló é catalão e pertenceu, nos primórdios, a uma linhagem de artistas e arquitetos.

Esta é uma das inúmeras razões que me farão retornar, com mais tempo, a Barcelona, Alcarraz e, sobretudo, a Torrellano Bajo.


Até breve.

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4 comentários:

  1. Arrepiante o hino do Barça!!!!! Que emoçao!!!! Dale 60, "abonado" do melhor da vida!!!!!!!!"Som I SERE"... proxima frase do Vereda!!!! saudades.. bjao

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    1. Boa idéia. Você não quer bolar alguma coisa? Tipo outra placa? Bjo.

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  2. Voltei a experimentar as emoçoes do sabado no jogo. Fiquei muito emocionado com as suas palavras do almorço. Acho que pra tudos fui um encontro muito breve. Até pronto "Agulhó".

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    1. Raül, mais uma vez, muito obrigado por tudo. Vocês foram excepcionais. Vamos nos ver seguramente antes da Copa de 2014. Um forte abraço.

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