domingo, 29 de novembro de 2015

DINA




Quando eu era menino lá em Santa Teresa eu alimentava três paixões. Bola, um monte de outras brincadeiras e Dina.

Dina era uma menina maravilhosa que morava em uma rua paralela à que eu morava. Um belo dia, eu jogava uma pelada próxima a casa dela, e - num relance - eu a vi sair de mãos dadas com a empregada.

Morri. Todas as minhas pernas balançaram e eu não caí porque firmava o pé de apoio para bater com a canhota em direção ao gol. O fato de eu perder o gol não fez a menor diferença em minha vida, mas a primeira vez que pus os olhos em Dina modificou para mim pelo menos os meus primeiros anos da adolescência.

Essa menina governou as batidas do meu coração por um bom tempo. Sabem quantas vezes eu me aproximei dela, falei com ela, que ela me viu? Nenhuma.

Tive outras paixões assim e ainda as tenho. Quer ver?

Eu estou apaixonado pelo Supremo Tribunal Federal, pelo Ministério Público, pela Polícia Federal e por parte do Congresso Nacional. E por quê?

Estamos próximos, muito próximos de viver um dos momentos mais expressivos de nossa República com chances mais do que objetivas de dar um belíssimo sinal de maturidade institucional e política ao mundo o que restaurará nossa credibilidade inclusive sob a perspectiva financeira, criando condições efetivas para a retomada de nosso desenvolvimento.

Senão vejamos:

PRIMEIRO PONTO

A força-tarefa da Lava Jato busca reunir elementos para apontar a Casa Civil como mentora do esquema que loteava politicamente cargos estratégicos, fixava porcentuais de pagamento de propina e que estruturou uma máquina de lavagem de dinheiro para ocultar o financiamento ilegal de partidos e campanhas eleitorais com o objetivo de garantir a governabilidade e a permanência no poder.

A prisão do pecuarista Bumlai, na última terça-feira, foi a mais recente peça nessa montagem do quebra-cabeça, fechando o círculo ao redor do ex-presidente da república.

Com três ex-ministros da Casa Civil pegos no radar da Lava Jato – José Dirceu, Antonio Palocci e Gleisi Hoffmann –, os investigadores da força-tarefa consideravam ter até aqui a base para revelar o papel efetivo de integrantes do Planalto como figuras ativas e com decisão no esquema de corrupção descoberto na estatal petrolífera – onde o rombo pode ultrapassar os R$ 42 bilhões. (fonte: O Estado de São Paulo, com pequenos ajustes).

SEGUNDO PONTO

O Supremo constrói delicada e firmemente o arcabouço jurídico para viabilizar todos os eventuais mandados de prisão sustentados em provas objetivas que determinem como crime inafiançável. Não intervém na pendenga política do afastamento do Presidente da Câmara.

TERCEIRO PONTO

Há rumores entre alguns parlamentares de que eles deveriam renunciar, coletivamente, ao mandato levando à sociedade a novas eleições. Minha paixão faz perder as pernas ao imaginar parte deles tomando esta decisão, deixando com a brocha na mão apenas os citados na Operação Lava Jato.


Poderia sim escrever com erudição para abordar uma questão tão vasta e complexa quanto esta. Uso uma metáfora, minha veia literária, pois trato de uma paixão. Portanto, uma quimera.

Todas as minhas pernas balançam, mas eu estou com o pé de apoio firme para bater com a canhota em direção ao gol.

Estou ansioso para escrever meu post BOLASETE.


Até breve.

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