quinta-feira, 2 de agosto de 2012

GRAÇA



Vou dizer o que é alegria.

Ela pesa 2,960 quilos, mede perto de quarenta e poucos centímetros, cabelos escuros, coradinha.

E se chama Liz.

Nasceu ontem à noite, às 22:28 horas, na Maternidade Santa Fé, de parto normal assistido pelo nosso amigo Corea.

O celular d’Ela tocou às 07:00 horas da manhã. Era Pretinha. Disse que havia passado a noite com muitas dores na barriga em intervalos de dez minutos. Ela sugeriu que Pretinha ligasse para o Corea.

Eu teria uma reunião agendada de trabalho que cancelei imediatamente. Pouco depois Pretinha ligou novamente dizendo que iria, junto com Claudinho, ao consultório de Corea as 08:45 horas. Aí eu fui fazer minha caminhada matinal. É o terceiro dia consecutivo que eu cometo esta atitude.

Voltei da caminhada, fiz a barba, tomei um banho, me perfumei todo e sentei na poltrona em frente à mesa do meu escritório do nosso apartamento. Não abri meu laptop, poderia ter que desligá-lo a qualquer momento.

Acessei inúmeras vezes o iPhone para ver se ele estava ligado mesmo e se havia conexão. Alegria é algo que dá ânsia.

Ela havia ido ao consultório dela para atender um cliente e me ligou de lá:

- Como você está?

- Aqui.

- Eu falei com Valesca... Ela está no Corea...

- Ela já fez a mala?

- Tá tudo pronto.

- Eu tô aqui, esperando...

- Daqui a pouco eu tô aí.

- Viu.

Às 09:42 horas Pretinha ligou dizendo que as contrações começaram e que a alegria poderia vir à noite, amanhã ou até depois. Logo que terminasse a consulta viria para nossa casa.

Por volta das 11:00 horas Pretinha chegou ao nosso apartamento. Claudinho foi para o trabalho. Meio dia eu estava deitado na cama ao lado dela e as contrações começaram a ocorrer em intervalos de quatro em quatro minutos com duração variando entre trinta e sessenta segundos.

Fomos para a Maternidade as 16:15 horas: Pretinha, Ela, a Dinda e eu. No caminho ligamos prá Claudinho dizendo que era bom que ele voltasse que sua filha iria nascer.

Pretinha foi para o bloco por volta das 20:40 horas.

- Vovô.

- O que é, Liz?

- Eu tenho o bilhete pronto...

- Quê bilhete?

- Lembra que eu pedi a você para me ensinar a escrever...

- Lembro. (PALAVRAS)

- Pois é, ele está pronto.

Minha personagem simbólica, intensa e singela quis fazer dela as minhas palavras. Escreveu no bilhete:

Papai e mamãe: Muito obrigada!