Vou dizer o que é alegria.
Ela pesa 2,960 quilos, mede perto
de quarenta e poucos centímetros, cabelos escuros, coradinha.
E se chama Liz.
Nasceu ontem à noite, às 22:28
horas, na Maternidade Santa Fé, de parto normal assistido pelo nosso amigo
Corea.
O celular d’Ela tocou às 07:00
horas da manhã. Era Pretinha. Disse que havia passado a noite com muitas dores
na barriga em intervalos de dez minutos. Ela sugeriu que Pretinha ligasse para
o Corea.
Eu teria uma reunião agendada de
trabalho que cancelei imediatamente. Pouco depois Pretinha ligou novamente
dizendo que iria, junto com Claudinho, ao consultório de Corea as 08:45 horas.
Aí eu fui fazer minha caminhada matinal. É o terceiro dia consecutivo que eu
cometo esta atitude.
Voltei da caminhada, fiz a barba,
tomei um banho, me perfumei todo e sentei na poltrona em frente à mesa do meu
escritório do nosso apartamento. Não abri meu laptop, poderia ter que
desligá-lo a qualquer momento.
Acessei inúmeras vezes o iPhone
para ver se ele estava ligado mesmo e se havia conexão. Alegria é algo que dá
ânsia.
Ela havia ido ao consultório dela
para atender um cliente e me ligou de lá:
- Como você está?
- Aqui.
- Eu falei com Valesca... Ela está
no Corea...
- Ela já fez a mala?
- Tá tudo pronto.
- Eu tô aqui, esperando...
- Daqui a pouco eu tô aí.
- Viu.
Às 09:42 horas Pretinha ligou
dizendo que as contrações começaram e que a alegria poderia vir à noite, amanhã
ou até depois. Logo que terminasse a consulta viria para nossa casa.
Por volta das 11:00 horas Pretinha
chegou ao nosso apartamento. Claudinho foi para o trabalho. Meio dia eu estava
deitado na cama ao lado dela e as contrações começaram a ocorrer em intervalos de
quatro em quatro minutos com duração variando entre trinta e sessenta segundos.
Fomos para a Maternidade as 16:15
horas: Pretinha, Ela, a Dinda e eu. No caminho ligamos prá Claudinho dizendo
que era bom que ele voltasse que sua filha iria nascer.
Pretinha foi para o bloco por volta
das 20:40 horas.
- Vovô.
- O que é, Liz?
- Eu tenho o bilhete pronto...
- Quê bilhete?
- Lembra que eu pedi a você para me
ensinar a escrever...
- Lembro. (PALAVRAS)
- Pois é, ele está pronto.
Minha personagem simbólica, intensa
e singela quis fazer dela as minhas palavras. Escreveu no bilhete:
Papai e mamãe: Muito obrigada!