terça-feira, 3 de abril de 2012

AGOSTO




Dentro do programa de manutenção de minha saúde guardo uma disciplina ortodoxa, quase militar. Terminantemente não sigo a nenhuma disciplina.

Dizem os entendidos que convém andar, regularmente, pelo menos meia hora por dia, seis dias na semana, descansando no domingo. Ando desregulamente em dias que cismo, às vezes, em volta dos quarteirões do meu prédio, às vezes, na Praça da Liberdade.

Pouco nas esteiras da academia de ginástica do meu prédio. Variam também o número de voltas que eu dou. Aos domingos gosto, às vezes, de andar pelas ruas do condomínio em Santa Luzia.
 
Tem dias que eu corro.

Ela compra para mim umas vitaminas naturais. Tomo disciplinarmente, ou seja, às vezes sim, às vezes não. Há, por exemplo, uma para memória que deve ser administrada antes das refeições. Quando lembro já almocei, ou já jantei ou já lanchei.

Pela manhã tomo um suco verde que Ela faz. Inhame, couve, gengibre, hortelã. Almoço, quase sempre fora de casa. Salada colorida, arroz natural, frango ou peixe ou carne vermelha magra. Em jantares em restaurantes, se acompanhado, vou com tudo.

Não bebo, não fumo, não cheiro. Cicuta, arsênico, querosene e assemelhados. Haxixe, ópio, Malboro. Pó, nenhum. Agora: tinto, branquinha, boêmia e scoth, com gente junto, rola fácil. Tem umas cigarrilhas cubanas que aprecio, pouco.

Não sinto raiva de nada e nem de ninguém. Só de fazer compra em supermercado, “só vou passar um batonzinho”, queda de sinal de celular e/ou de internet, motorista nó cego e buraco nas ruas. De político eu sinto mesmo é asco.

Gosto de rir, muito, às gargalhadas. Dizem que desopila o fígado. Não é por isto (eu sei lá o que é desopilar) é porque rir dá um gosto bom.

Gosto de chorar, muito, às lágrimas. Pelas perdas, pelos ganhos, pelas cenas, pelos abraços, pelos chegares e pelos ires, pelos carinhos e pelas desfeitas, pela violência, pelo descaso. Tiro o sal de mim, quando é de muito.

Resolvi, e aqui é prá valer, que vou exercitar prioritariamente duas massas musculares: o cérebro e o coração.
O cérebro para não me esquecer dos meus entes queridos, dos meus amigos, do meu endereço, da minha história, do meu próprio nome.
O coração para continuar respeitando e amando aos meus entes queridos, aos meus amigos, à minha casa, à minha história e a mim mesmo.

Agora energético na veia vem mesmo é daqui a quatro meses. Como demora, meu Deus? Se bem que ansiedade num é bom prá saúde.

Liz só deve estar “passando um batonzinho”.


Até breve.