sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

REALEZA



Isto é a vida real?
Isto é apenas fantasia?
Soterrado num deslizamento
Sem saída da realidade

Abra seus olhos
Olhe para o céu e veja
Mas eu sou apenas um pobre menino
Eu não necessito de nenhuma simpatia
(fragmento da letra de Bohemian Rhapsody)




Êxtase! Puro êxtase!

A exuberância da sétima e perene arte: ah, o cinema!

Com cinco indicações para o Oscar de 2019, Bohemian Rhapsody é uma celebração exuberante da banda de rock Queen, sua música e seu extraordinário cantor principal Freddie Mercury, que desafiou estereótipos e quebrou convenções para se tornar um dos artistas mais amados do planeta.
O filme mostra o sucesso meteórico da banda através de suas canções icônicas e som revolucionário, a quase implosão quando o estilo de vida de Mercury sai do controle e o reencontro triunfal na véspera do Live Aid, onde Mercury, agora enfrentando uma doença fatal, comanda a banda em uma das maiores apresentações da história do rock.
Durante esse processo, foi consolidado o legado da banda que sempre foi mais como uma família, e que continua a inspirar desajustados, sonhadores e amantes de música até os dias de hoje.
Assistir aos 132 minutos de projeção na telona de Bohemian Rhapsody é experimentar sensações inenarráveis. A grandiosidade da lenda que o filme retrata já seria suficiente para mobilizar o expectador.

No meu caso, não foi pela biografia de Freddie que me arrebatei, mesmo porque Freddie Mercury faz parte da galeria dos artistas eternos e não precisaria de nenhum tributo a mais para elevar a importância de sua passagem pelo showbiz.
A intensidade da emoção que experimentei está no filme em si enquanto obra de arte, na sequência vertiginosa até a cena final apoteótica tanto quanto a carreira de quem o enredo busca retratar.
Rami Malek, o ator que faz Freddie Mercury no filme, não precisa de nenhuma demonstração de maturidade artística a mais. Ele conseguiu dar a dimensão da genialidade, dos dramas internos, da solidão profunda, da voluptuosidade sexual do astro.
Um ator assim é uma preciosidade que, embora não se compare em grandeza ao quilate de quem protagoniza, torna-se também um clássico. Sua interpretação dá ao filme a indispensável magnitude do ser humano ímpar que foi Freddie.
O processo de criação da banda, os bastidores das composições, os conflitos internos, cenas que vão ficar na memória de cinéfilos os mais exigentes. A cena (longa) em que Freddie vai ao encontro de sua ex-esposa que havia o procurado para dizer dos desatinos dele e é filmada sob uma chuva torrencial é impagável simbolicamente, como se ali Freddie estivesse sendo “lavado” de seu passado, encontra a sim mesmo e vai, na sequência, retomar a banda e realizar Live Aid.
Outra cena, a do reencontro dos integrantes da banda, em que Freddie diz que individualmente nem ele próprio alcançaria o êxito pode ser usada em programas de desenvolvimento empresariais para que executivos compreendam de vez o que é uma equipe de alta performance.
Vou ficar eternamente grato à Bohemian Rhapsody.

Até breve.

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