quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

ΑΓΆΠΗ




O que restará dos corações aflitos tomados de sentimentos ensandecidos que a razão e a moral não alcançam?

Sentimentos que dão a dimensão do Homem enquanto Humano. “Há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia.” Derivamos de Shakespeare que escreveu em 1600, e colocou na boca de Hamlet.

Embora a filosofia e a racionalidade sejam essenciais para o ser humano, elas não respondem a tudo. Há mais no mundo coisas que a razão não consegue explicar. Por isso é temerário legar todas as soluções da existência ao nosso limitado cérebro.

Some-se a essa extraordinária limitação a Moral e seus ditames circunstanciais que implicam em restrições à paixão sem freios e amarras.

O coração, símbolo do que pulsa a humanidade no Homem, fragiliza.

Fosse uma máquina e agora com toda tecnologia cibernética embarcada, provavelmente o cérebro, pelo juízo da razão e da moral, sistematizaria aquilo que deveria conter o coração.

Mas não. A tecnologia não dará conta da loucura. Para a paixão não há remédio.

De onde nasce e nutre o sentimento não há explicações plausíveis, fosse assim a civilização seria outra.

Ao longo de toda a História foram os sentimentos transloucados pela paixão que movimentaram o círculo. Não foram esquemas lógicos racionais e nem aqueles ditados por um determinado código.

O princípio da paixão é o desejo.

E o desejo é o desejo, que não se explica.

Vitimado por marcos regulatórios, impingidos pela razão e pela moral mais do que dominantes, o desejo sempre sofreu seus horrores e, ainda assim, sobreviveu mesmo que inúmeras vezes enquanto ardia em fogueiras.

Quando uma e/ou outra alma é dragada e/ou dragadas pelo mistério servirá a ele e tão somente a ele e aos seus desígnios.

Cruel tarefa essa de escrever o não escrevevíl. E olhe, na norma linguística a última palavra da frase anterior não existe, portanto estou em erro e passível de punições de toda sorte.

Aos poetas, a dor.


Até breve.

2 comentários: