quinta-feira, 11 de maio de 2023

SISTEMA


A atriz e ativista Jane Fonda teria dito: “Se você quer mudar o sistema vá para dentro dele.”

Rita foi da passagem ao ato.

À face da dita dura e dos grilhões familiares católico-protestante, ela opôs-se com seus olhos imensos azuis, sua meiguice, seus cabelos loiros, vermelhos, ruivos, e sua imensa e privilegiada inteligência.

E não o fez sem imolar-se. Enquanto compunha trocentos versos roquirrolantes e sons incandescentes, que nos balançaram todos os esqueletos e excitaram nossos melhores músculos do cérebro e do coração, ela submundou nos pós, de todos os líquidos e químicas.

Desceu aos infernos. Despirocou-se geral.

Até que o nascimento da primeira neta teria a feito pensar que tudo aquilo era uma “puta caretice” e se limpou.

Rita é dessas figuras históricas que fizeram com que perdurassem em nós alguns restos humanos. E sou daqueles gratos pelo privilégio de ter vivido ao seu tempo.

Sua face final estampa o que restou de sua luta. Perguntada sobre o que será o mundo sem Rita, a irmã teria respondido: “O mundo não existe mais sem ela.”.

Lembro de um outro ícone que se evadiu do sistema por acreditar impossível de transformá-lo.

“Na parede da memória este é o quadro que dói mais.” 


 

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