sábado, 6 de junho de 2020

PANDECER



De repente me ocorreu que viver é algo de provisório, sem fixação definida. Mas não, porque quem não sabe que houve um antes? Mesmo não sabendo que depois, não saiba o que haja. Também.

Mas é que tem. Portanto, improvisório. Ou será em provisório?

Embolado, erudito, hermético, filosófico, pirante? Nada sô, pandêmico, dezenovecovidicêntrico, como se faltasse ar de respiração e o cérebro vadiasse ao léu.

Não fumei nada e nem cheirei. Fosse, até provisionaria. Beber? Bibi, mas já exalou. Num tem efeito definitivo.

Juro que não é provisório, mas constante, esse imbróglio. Pouca gente sabe ou já usou esta palavra. Procure no Google. Eu espero.

Pesquisou?

Seguinte: pediram-me para escrever sobre a vivência, um dia qualquer, vivido ou fantasiado ou alucinado, não importa neste intervalo de provisoriedade que estamos covidados, ou melhor, confinados. Com finados que ultrapassaram, hoje, a trinta e tantos mil que provisoriamente estiveram entre nós.

Tristeza de doer. Até Marlene, docinho-de-coco, foi junto e de primeira da fila em BH.

A televisão lança poemas do Grupo Galpão, dizendo que do ar não saem pulmões. Desculpe, melhor: dos pulmões de corpos de bruços, vertem a ausência do ar.

Respiradores.

Faltou um adaptador para a maldita tomada de três pinos. Cortei um dos pinos, provisoriamente. Serviu. Fiz café normal, com três colheres de café. Nunca mais comprarei o adaptador para a tomada de três pinos. Ficará eternamente provisório. Ou não.

Fique em casa.

Teve também aquele post que circulou aqui sobre o botão de rosa no meu jardim furando o vazio acima de si. Pudesse eu filmaria com câmera hipersofisticada cada segundo da transitoriedade até tornar-se rosa. Gostei às pampas de ter começado a reclusão a partir daquele dia.

Da vida clandestina e provisória enquanto conselheiro de empresas (custo a acreditar que acreditam) não se falo. Tenho sido demandado mais, aqui. Tensão de mercados, cifras, meios e modos. Direção.

Ontem, que pode ser qualquer outro ontem, escrevi. Provisoriamente é o que eu mais curto fazer. Curtiram pouco, menos do pouco de sempre, um post ontem. Excluí, num quero que ninguém sofra de mim por causa de puslítica. Sem causa.

Praquí é só, embora eu tivesse tanto pradizer. Mas, provisoriamente, tá bom. Para não ficar eterno e indestrutível, como a morte. As quatro últimas palavras roubei-as de Manoel de Barros, pragora.

Eu acho.


Até breve.


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